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3º
SETOR AMADOR OU PROFISSIONAL ?
Antonio
Lopes Filho*
Nosso objetivo é
escrever para um grupo heterogêneo, formado não somente
pelos profissionais ligados ao trabalo com o Terceiro Setor, mas todos
os que se interessem pelo assunto. Por isso, nosso texto possui um
conteúdo que talvez já seja do domínio de alguns
leitores, mas, certamente, não de todos.
O termo “Terceiro Setor”
é utilizado para designar as organizações da
sociedade civil, sem fins lucrativos, que atuam na área social,
tendo como objetivo precípuo a solução de
problemas sociais. É uma identificação meramente
segmentadora, visto que usamos, por consenso, o primeiro setor como
sendo Governo, o segundo mercado (empresas) e o terceiro as
organizações de caráter social sem finalidade de
lucro. Há pessoas que invertem a ordem entre o primeiro e o
segundo setor. Não importa!
No livro “Privado
porém Público” de Rubens Cesar Fernandes, página
21, há um quadro muito utilizado, que nos dá uma
noção simples dos elementos que diferenciam e identificam
os setores. Ele tem a seguinte forma:
|
SETOR
|
AGENTES
|
FINS
|
| GOVERNO |
PÚBLICOS |
PÚBLICOS |
| MERCADO |
PRIVADOS |
PRIVADOS |
| TERCEIRO SETOR |
PRIVADOS |
PÚBLICOS |
Ainda de acordo com
Rubens Cesar, se completarmos a seqüência lógica, do
quadro, chegaremos ao SETOR - CORRUPÇÃO? agentes
públicos para fins privados. Exercício de
imaginação ou não, a realidade dessa lógica
é preocupante.
Embora derivando das
tradicionais entidades filantrópicas, hoje, as
organizações do Terceiro Setor, buscam uma
atuação muito mais eficaz do que a mera prática
assistencialista e os movimentos caritativos pontuais.
Há três
formas legais de organizações no Terceiro Setor:
Fundações, Associações e Cooperativas.
Uma das grandes
polêmicas atuais é a profissionalização no
Terceiro Setor.
Há uma
visão míope de que a profissionalização do
setor é "desculpa" para a absorção da
"mão-de-obra" dispensada dos outros setores. Penso que os que
assim comungam estão muito equivocados. Possivelmente, um temor
infundado. Não podemos confundir empreguismo com
profissionalização. O temor de alguns, talvez, seja de
que o Terceiro Setor esteja se transformando em um "paraíso" de
oportunidades de novos empregos. E o que isso tem demais? Se assim
fosse, teríamos um bom caminho para as soluções de
geração de renda de nosso País.
Mas... não é bem assim. Empreguismo sempre
existirá. Em qualquer setor. Isso não é motivo
para se estigmatizar a profissionalização do Terceiro
Setor.
Essa
profissionalização, na minha visão, significa
proporcionar um trabalho competente, onde o conhecimento e a
experiência profissional atuam com eficácia na
produção dos resultados.
Deve o Terceiro Setor
ser conduzido apenas pelo amadorismo voluntário e caridoso das
atividades pontuais? Ou... há que se promover uma base
sólida de sustentabilidade das ações sociais, com
o preparo profissional dos meios de execução, visando um
resultado social adequado e progressista?
Eu aposto na segunda
alternativa. E você?
*Antonio Lopes Filho
é consultor empresarial, contador e auditor, especialista em
Gestão de Iniciativas Sociais UFRJ, associado à Thompson
Management Horizons, onde atua como professor, do FCT- Curso de
Formação de Consultores e coordena o Segmento do Terceiro
Setor.
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