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Além
da aparência

Carolina Manciola *
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Carolina
Manciola*
“Quem não
compreende um olhar
tão pouco
compreenderá uma longa explicação”
Mário Quintana
No
mundo corporativo é comum vermos apenas “parte” da realidade.
É fácil perceber o sucesso ou o fracasso de uma
determinada empresa ou pessoa, mas quase nunca se sabe o motivo (real)
do que as levaram a tal situação.
Especialistas afirmam que a primeira impressão
é a que fica. As pesquisas psicológicas revelaram que as
pessoas dão uma importância muito maior às
informações iniciais do que às posteriores.
Sabendo disso, caprichamos em como vamos aparecer e nos comportar
diante dos outros em encontros de negócios e
aparições públicas.
Manter
a aparência é fundamental, mas é difícil
saber o que se esconde (ou se camufla) por detrás daquele
terninho impecável ou daquela fachada esplendorosa. Na maioria
das vezes, o que vemos é a pontinha do ice berg.
Dentro desse contexto, existem duas armadilhas
clássicas: a primeira é que (quase) sempre existem
lacunas entre a maneira como achamos que somos vistos, e a maneira como
realmente os outros nos vêem. A segunda é que, apesar de
ser marcante, a primeira impressão, principalmente quando
é boa, abre portas para um segundo, terceiro ou até
diversos outros encontros onde a aparência passa a um plano
inferior e o que realmente conta é o que você ou sua
empresa são em sua essência.
Segundo Albert Merhabian, pioneiro da pesquisa da
linguagem corporal na década de 50, em toda
comunicação interpessoal cerca de 7% da mensagem é
verbal (somente palavras), 38% é vocal (incluindo tom de voz,
ritmo, altura, inflexão e outros) e 55% é não
verbal. Num primeiro momento esse quadro pode parecer assustador,
afinal ele mostra que 93% do que é percebido numa
relação entre duas pessoas vai além, e muito, do
conteúdo do que é dito, mas se começarmos a
observar atentamente, a linguagem do corpo nada mais é do que o
reflexo externo do nosso estado emocional. Na dúvida entre o que
o uma pessoa diz e como ela age, a ação “fala” bem mais
alto.
No
contexto empresarial, por exemplo, a missão, a visão e os
valores de uma organização devem ser não apenas
enfeites em quadros pendurados nas paredes, ou em ícones daquele
site em flash, mas sim sua “alma”. Mais do que
estampadas (e bonitinhas) essas frases devem nortear as
relações de uma empresa.
Em
relação às pessoas, é importante ressaltar
que não bastam apertos de mão firmes, cartões de
visita em alto relevo, tapinha nas costas e frases de efeito. Existe
uma frase de Ralph Waldo Emerson, do século 19 que diz: “Aquilo
que você é soa tão alto que mal posso ouvir o que
você diz”.
O que
eu quero dizer com tudo isso é que não basta caprichar na
“embalagem”, o conteúdo tem que ser tão bonito quanto. E
como diria um dos meus gurus, o Nizan Guanaes: “Conteúdo sem
marketing é burrice e marketing sem conteúdo é
picaretagem”. Ambos devem caminhar de mão dadas.
*Carolina
Manciola é graduada em Administração pela
Universidade Federal da Bahia em Especialista em Gestão da
Comunicação Organizacional Integrada pela mesma
instituição. Diretora da ADVB-BA e Coordenadora de
Comunicação e Marketing da Cin – Educação
Empresarial. Preocupa-se com a aparência, mas muito mais com o seu
conteúdo.
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