ATENDIMENTO
ENGESSADO
Rosangela Castilho*
Você já deve ter passado por
situação semelhante:
Ao entrar na loja o vendedor se aproxima com um largo sorriso,
cumprimenta e em seguida faz uma observação sobre algo
que você está usando:
"Nossa! Que bolsa linda! Que bom gosto!"
Você, com um risinho disfarçado agradece, mas se
envergonha da intromissão do outro e não se sente
à vontade para continuar ali.
Em outro caso, ao aproximar-se de uma vitrine você percebe
imediatamente diversos olhares em sua direção, uma
rápida discussão para definir “quem está na vez” e
logo, logo, um
- "Bom" dia” cheio de expectativa, seguido de um “ - "Posso Ajudar",
que nem sempre ajuda...
A vontade agora pode ser esquecer o que viu de bonito na vitrine e sair
correndo!
Treinar as equipes é mais do que necessário,
principalmente na era do Atendimento, que é a que estamos
vivendo. Nada melhor para uma empresa do que ser reconhecida por sua
excelência em atendimento ou em serviços ao cliente, mas
não basta treinar uma equipe com técnicas inovadoras de
abordagem. É preciso monitorar constantemente a
aplicação deste treinamento.
Endurecer a leveza do contato pessoal através da
utilização de uma técnica é pior do que
não possuir técnica alguma. As ferramentas se
multiplicam, mas é na utilização delas que
pecamos. Cada cliente se comporta de maneira diferente do outro e por
isso é difícil obter respostas favoráveis a
contatos idênticos, se o público não é igual.
O comportamento do ser humano é único e cada abordagem,
por sua vez, tende a ser única também. E o cliente
não perdoa.
Às vezes a sensação, enquanto consumidores,
é de que estamos sendo bombardeados pela ânsia de vender
de cada um que está atrás do balcão (ou na frente,
na maioria das vezes...). Os apelos são os mesmos, as frases se
repetem, até o sorriso e o ar doce são plantados no
momento que convém. Isso soa falso!
O que vale é estar atento aos movimentos do cliente, é
aguçar a capacidade de percepção e se mostrar
cúmplice no momento da compra.
Isso para, numa próxima vez, ao dizer: “- Posso ajudar?” o
vendedor não seja obrigado a ouvir: “Pode sim. Olhe aquela
vitrine dali, enquanto vejo essa aqui, pode ser?”
*Rosangela
Castilho - Publicitária, com pós graduação
em Marketing pela ESPM. Membro dos comitês de Varejo e de
Atendimento ao Cliente da ABA (Associação Brasileira de
Anunciantes). Mais de 10 anos de atuação em
administração de shopping center, nas áreas de
Marketing e Atendimento ao Consumidor. Atualmente coordena toda a
área de Atendimento e Relacionamento com Clientes e
Endomarketing do NorteShopping – Rio de Janeiro.