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AUTOCONFIANÇA  X  ARROGÂNCIA

Sueldo Câmara*
                              Dificilmente pode-se falar sobre empreendedorismo sem ao menos citar uma característica empreendedora, todas elas são marcantes na vida de um empreendedor de sucesso, portanto, torna-se muito arriscado, - para não dizer precipitado – determinar a mais importante de todas. Não podemos destacar o planejamento e monitoramento sistemático sem antes falar da importância do estabelecimento de metas e dos riscos calculados, passando pela busca de oportunidades e iniciativa, até chegar na capacidade de montar redes de contato, da persistência, entre outras.
                             
 No entanto, o estudo sobre a autoconfiança exerce um certo fascínio sobre mim, o que me faz enfatizar esta característica nas minhas aulas e palestras sobre empreendedorismo. A autoconfiança é fundamental para que a pessoa potencialize os seus talentos e aptidões, e cresce na medida que aumentamos as nossas competências e desenvolvemos habilidades para se alcançar os resultados e as metas estabelecidas.
                               
 Porém, a exemplo de todas as outras características, a autoconfiança tem o seu lado obscuro, ou seja, um comportamento “semelhante” confundido com a verdadeira característica mas que não representa a mesma. O lado obscuro da autoconfiança é a arrogância. O mundo atual, (cheio de paradoxos e incertezas, onde o próprio conceito de competição é muito mais amplo e difícil de decifrar do que se imagina) prepara “ciladas” para os mais desatentos, conduzindo  indivíduos ansiosos por competir e vencer a “deslizarem” na linha tênue que separa a autoconfiança da arrogância, e o mais perigoso é que esse desvio de comportamento é mais facilmente percebido pelos outros do que pelo próprio arrogante.
                                
A “síndrome do salto alto” (como é mais conhecida a arrogância nos ambientes corporativos) é nociva á carreira profissional, seja o indivíduo empresário ou não; a soberba limita o desenvolvimento da pessoa, na medida que a mesma perde a capacidade de ouvir, de receber feedbacks e de aprender com os outros e com os próprios erros, além de prejudicar o trabalho em time, provocando o distanciamento de colegas, parceiros e colaboradores.
                                    Mas, como identificar a linha tênue que separa a autoconfiança da arrogância ?

Talvez, a resposta para esta pergunta esteja na intenção do profissional em relação ao que se pretende realizar e construir. Se o intuito da pessoa é realizar trabalhos que proporcionem benefícios aos outros é imprescindível possuir a capacidade necessária para dominar o que se pretende fazer e acreditar fortemente em seu próprio potencial, isso se denomina autoconfiança, o reconhecimento e a recompensa financeira são conseqüências naturais desse processo. No entanto,  se a intenção do indivíduo em suas realizações é apenas demonstrar superioridade ou simplesmente exibir aptidões e conhecimentos, adotando posturas autoritárias que desprezam as qualidades e virtudes alheias, a arrogância se instaura.
                                    
O empreendedor assumindo esse comportamento, pode até alcançar sucesso em alguns projetos e empreendimentos, mas ao longo do tempo não conseguirá obter a admiração da maioria dos pares, clientes, parceiros e colaboradores o que pode comprometer a sua evolução e permanência no mercado.
                                    
 Saber distinguir comportamentos autoconfiantes e atitudes vencedoras de posturas arrogantes pode ser o encontro com o equilíbrio necessário para a carreira de muitos profissionais e empreendedores talentosos.

* SUELDO CÂMARA é Instrutor e Palestrante nas áreas de Liderança, Empreendedorismo e Relacionamento com Clientes, Professor do UnP e da UERN.