Ricardo Alexandre Mendonça *


COMIDA E TRABALHO


Somos o que comemos
 


 
Muitas vezes caminhando pelo centro da cidade percebo o comportamento das pessoas na hora do almoço. Muitos ficam em filas, outros ficam em filas por necessidade e, outros ainda, já estão espremidos em mesas quase coladas em restaurantes da moda, pessoas comendo besteiras em fast foods e outros ainda literalmente se “entupindo” de comida em churrascarias e rodízios os mais diversos. Entendo que cada um faz o que quiser de seu organismo, sua saúde e seu desempenho em geral na vida.

Não é novidade para ninguém que uma dieta saudável inclui verduras, legumes, frutas, massas e para muitos até carne. Os carnívoros mais radicais usam até o argumento de que somos feitos para comer carne, uma vez que temos mandíbulas e caninos. Estas mesmas mandíbulas e caninos serviram para nos primórdios, antes de sentir o gosto e o cheiro do sangue, tal e qual os animais, o homem cortar raízes. Até hoje nunca ouvi um especialista na área se referir às raízes, mas, tão somente à carne. Pessoalmente gostaria de saber deles a razão da separação entre dentes e raízes.

Claro que sei que um sujeito que come carne há mais de trinta anos pode ter anemia profunda se parar de comê-la e não souber fazer a substituição adequada e, principalmente, aos poucos.

Não entendo com facilidade como pode um sujeito na hora de seu almoço, no meio de um dia cheio, querer comer coisas pesadas, com misturas duvidosas de temperos, calorias e propriedades, tomando refrigerante e, ao mesmo tempo, querer ter o mesmo rendimento da manhã e ainda sonhar em sair um dia do trabalho sem reclamar dele ... suponho que esta pessoa tenha dois discursos clássicos: no primeiro diz que tomou um belo café da manhã regado à muita química, gordura, pressa e que já gastou toda esta energia. Na verdade suas células de tanto absorverem besteiras, ficam fracas, ou seja, oxidam e requerem mais energia, dando a sensação constante de fome, fome esta que é “satisfeita” com mais alimentos que as enfraquecem na hora do almoço. É uma retroalimentação assassina, que mata aos poucos como o cigarro. No segundo discurso diz que está sempre com pressa, não comeu nada de manhã e agora está louco de fome. Melhor não ter comido nada pela manhã pois ao menos o intestino não se sobrecarrega com as besteiras de dias anteriores (a carne pode levar até sete dias para ser digerida e, enquanto isso apodrece dentro de nós, tal e qual o cheiro ruim que sentimos nas lixeiras na rua), de cocô e bactérias desnecessárias  ... deixemos estes exageros para alguns fins de semana e, desta forma, a rotina mais leve e muito mais saudável.

Se estamos com pressa de manhã o melhor é esquecer de comer o que quer que seja e tomarmos um copo grande de suco de uva, limão ou outra fruta (naturalmente sem açucar refinado) mais ou menos calórica que podemos enriquecer com levedo de cerveja ou outro complemento. Se sempre estamos com pressa, ou acordamos mais cedo, ou deixamos o suco já anteriormente pronto e bem fechado numa garrafa.

Conheço pessoas que usam o horário de almoço para fazer uma atividade física de menor tempo na academia e, o tempo restante, é usado num rápido, porém saudável almoço. Outras levam frutas para comer no trabalho no meio da manhã evitando o “entupimento” catastrófico do almoço e a tentação de comer besteiras no trabalho como doces, biscoitos e café sem parar.

Falamos tanto em mudanças, inovações, resiliência, gerenciamento participativo e outras palavras bonitas ...

Nosso corpo é nossa empresa, nosso cérebro o gerente e nossos órgãos os funcionários. Já paramos para pensar que podemos estar sendo gerentes autoritários e quase escravizadores mesmo quando nossos funcionários já estão no limite de um pré-colapso ?

Falamos tanto em bônus, recompensas, reconhecimentos e outras palavras da moda ...

Já pensamos em dar um bônus de saúde ao nosso fígado ? Já demos uma recompensa aos nossos vasos sangüineos e desobstrui-los por alguns dias ? Já pensamos em por, pelo menos três dias na semana, não comermos açucar, gorduras, frituras, carnes, refrigerantes e promovermos nossos pulmões, nossos rins, nosso sono, nosso coração e nosso funcionamento global ?

Não conseguiremos, ficaremos ansiosos, nervosos só de pensar em mudanças ? Sejamos ousados ! Somos fortes para tantas bobagens ao longo da vida, não ? Tomamos discursos de saúde prontos e clássicos como verdades absolutas, não é mesmo ? Nos impressionamos com pessoas imponentes de belo discurso e muito conhecimento e não as questionamos. Um dia descobrimos que estão na cadeia .... sejamos ousados para questionar e mudar !

Reclamamos de chefes muito cobradores que nos tratam como “burros de carga” no trabalho. Não estamos fazendo o mesmo com nossos funcionários internos ? Uma hora eles podem começar um movimento e fazer greve; aí pode ser tarde demais ...

Para inovarmos, criarmos, sermos resilientes e todas estas palavras bonitas que falamos e ouvimos em palestras, precisamos ter saúde física e mental. Vamos nos propôr o desafio de conhecer  novos caminhos a partir de pequenas mudanças de hábitos e valores, muitas vezes mal disseminados culturalmente, para nos conhecermos com mais energia (ou menos se necessário), mais saúde e menos problemas.

- Comamos bem.
- Respiremos muito pela manhã e principalmente quando estivermos tensos.
- Tomemos o máximo a hora do almoço como nossa hora pessoal de saúde e paz.
- Deixemos a raiva chegar e sair rápido.
- Entendamos que nosso corpo e nossos órgãos não são depósitos de lixo.
- Gerenciemos bem a melhor empresa que podemos ter na vida !


*Ricardo Alexandre Mendonça é consultor em Recursos Humanos, mestre em Psicologia PUC/RJ e especialista em Educação a Distância (EAD). Consultor do IVAR - Instituto do Varejo-RJ e consultor por 6 anos do IBQN na área da gestão da qualidade total. Formação como avaliador do PQ/RIO 99. Escritor e palestrante. Realiza instrutoria e desenvolve projetos de treinamentos nas áreas gerencial e de gestão de negócios, tutor EAD do Sebrae Nacional e sócio diretor da Diferencial Educação & RH.