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Sempre gostei de comer bem e fui acostumado a tal, em decorrência de minha mãe no cotidiano ser uma cozinheira de mão cheia. Almoços, jantares e viagens de família desde pequeno me mostraram paladares desconhecidos, inacreditáveis e, naturalmente na maioria das vezes, deliciosos. Talvez por esta convivência com os sabores, comecei a fazer “miojos” em acampamentos quando mais novo, o que para mim foi uma evolução culinária, uma vez que o tradicional pão com manteiga, era minha “especialidade”. Com o passar do tempo comecei a copiar algumas receitas, umas de forma desastradas e outras nem tanto assim... morar sozinho há muito tempo ajudou na criatividade e cheguei a fazer inclusive moquecas, fettutines, peixes, etc.; os amigos aprovaram, o que me incentivou a continuar no “caminho”. Devo dizer que não dispenso um pão com ovo, uma esfiha ou um salgado por pura gula, um dos sete pecados. Recentemente resolvi aprimorar meu “talento” e fiz inscrição num curso de culinária com uma chef famosa aqui no Rio. Foram sete horas de aula e esperei quatro meses para ter uma grata surpresa em termos de treinamento e aprendizagem. Fui recebido no bar do restaurante e nosso curso foi das 15:00 às 22:00h. Éramos 12 pessoas aproximadamente e quando chegamos recebemos apostila, avental e touca. Fomos para a cozinha, diga-se de passagem, nunca tinha entrado numa igual, nos apresentamos rapidamente, a professora explicou as etapas do curso e começou a mostrar o preparo do primeiro prato. Alguns itens já estavam pré prontos e ela foi mostrando o passo-a-passo de como cortar, misturar, temperar, aquecer, mexer, decorar e servir. Perguntas feitas e respondidas, algumas muito complexas para meu parco conhecimento na área. Um dos colegas havia sido chef num famoso hotel de Brasília. Na semana seguinte o vi como jurado de um concurso de culinária na TV. Após a demonstração os grupos foram pela chef definidos para o preparo do aperitivo, entradas, prato e sobremesa. Fiquei no grupo da sobremesa, embora não seja fã de doces. “Torta de maçã com creme inglês e fava de baunilha raspada”; me senti cozinhando para a rainha Elizabeth! Circulávamos quando possível na enorme e equipada cozinha entre os grupos para acompanhar e ajudar no preparo das iguarias dos colegas. Qual nossa surpresa após um certo tempo quando começou a tocar música animada e todos começaram a dançar! A própria chef conduziu um “trenzinho” ao redor dos fogões. A cena foi engraçada. Todos vestidos de “chefs” cantando e dançando, o que nos incentivou mais ainda no trabalho. Parece que a alegria contagiou a todos e o envolvimento aumentou, tanto nos grupos, como no grupão. Após um intervalo na música fomos surpreendidos com taças de champagne, brindamos, rimos e continuamos nosso trabalho. Pratos prontos fomos todos para a grande e bela mesa jantar. Cada grupo ia à cozinha preparar seu “dever” para servir aos outros que conversavam, tiravam fotos e saboreavam uma taça de vinho e um pequeno couvert com pão e pasta da casa. À medida que os grupos serviam uns aos outros, pela sequencia, eram aplaudidos e parabenizados pelas delícias apresentadas. O curso também foi um momento de reflexão onde fiz uma comparação com as minhas próprias práticas de ensino e outras que conheço. Mais uma vez confirmei que a aplicação prática do aprendido é fundamental para a retenção da aprendizagem. Mais uma vez confirmei também que a alegria, o desafio, o envolvimento, a cumplicidade e o respeito são fortes elementos motivacionais na aprendizagem; e olha que a professora entende de cozinha e não transita pela área de RH. Pessoalmente foi um dos melhores exemplos que tive de aprendizagem a partir da “Zona de desenvolvimento proximal”, do Vigotsky. Estou começando a pensar em ministrar meus treinamentos na cozinha. *Ricardo Alexandre Mendonça é consultor em Recursos Humanos, mestre em Psicologia PUC/RJ e especialista em Educação a Distância (EAD). Consultor do IVAR - Instituto do Varejo-RJ, consultor do SENAC/RJ e consultor por 6 anos do IBQN na área da gestão da qualidade total. Formação como avaliador do PQ/RIO 99. Escritor e palestrante. Realiza instrutoria e desenvolve projetos de treinamentos nas áreas gerencial e de gestão de negócios, tutor EAD do Sebrae Nacional e sócio diretor da Diferencial Educação & RH. |