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Lei
formal ou informal, rotinas para serem ou não cumpridas, procedimentos para
seguir ou só ficar decorando paredes... O
episódio inominável com a estudante de uma universidade em São Paulo, agredida
de todas as maneiras por estar de vestido curto, nos traz à tona a percepção de
valores institucionais e valores estabelecidos por subgrupos que podem ser
maiores que os fundamentados nas regras formais. O que
vale mais, o que deve ser feito ou o que foi pedido com jeitinho pelo colega,
pelo subordinado ou pelo superior? Se o que deve ser feito ficou em segundo
plano e prejudicou outra pessoa, seria correto inverter o jogo, inverter a
ética, o respeito e a verdade, em nome de expurgos pessoais projetados
justamente em quem foi prejudicado? A moral
para os agressores se traduz por violência, deboche, segregação e quase
linchamento? Em pleno século XXI, numa grande cidade, num ambiente teoricamente
democrático de troca de experiências, costumes e formações, a tal moral parece
mais atitude de fanáticos autoritários e déspotas de séculos atrás. Talvez algo
como o comportamento de Hitler com os judeus se aproxime da emocionalidade dos
estudantes ao verem um vestido curto em sala de aula... Seria
interessante que no ambiente universitário onde ocorreu o episódio passasse
filmes dos campi de outras universidades Brasil afora, para que seus estudantes
fizessem um benchmarking* relativo a sociabilidade, amizade e, inclusive,
aprendizagem e resultado final dos colegas, especialmente os que usam shorts,
saias e vestidos curtos. Nas
empresas fazemos isto quase diariamente. Lemos notícias do mercado, procuramos
nos relacionar com clientes, fornecedores e concorrentes, enfim, temos “jogo de
cintura” para conhecer, transitar e tentar harmonização com as diferenças que
serão sempre inevitáveis em todas as esferas de nossas vidas. Quando a
harmonização não é possível, nos afastamos e seguimos em frente, sem ódios
desgastantes e desnecessários. No jogo
do poder muitas vezes as regras são quebradas, não importando a hierarquia e
nível de poder envolvido. Paradoxalmente no sentido ético é importante deixar
claro que regras quebradas, quando assim forem, que sejam de comum acordo com
todos (deveria ser sempre por votação), para superar um obstáculo circunstancial
sem prejuízo imposto da cultura, hábitos e valores da equipe, de um ou outro ou
de todo um segmento social. *Ricardo Alexandre Mendonça é consultor em Recursos Humanos, mestre em Psicologia PUC/RJ e especialista em Educação a Distância (EAD). Consultor do SENAC - RJ, IVAR - Instituto do Varejo-RJ e consultor por 6 anos do IBQN na área da gestão da qualidade total. Formação como avaliador do PQ/RIO 99. Escritor e palestrante. Realiza instrutoria e desenvolve projetos de treinamentos nas áreas gerencial e de gestão de negócios, tutor EAD do Sebrae Nacional e sócio diretor da Diferencial Educação & RH. |