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A CULPA É DO VESTIDO...

Ricardo Alexandre Mendonça *

Lei formal ou informal, rotinas para serem ou não cumpridas, procedimentos para seguir ou só ficar decorando paredes...

O episódio inominável com a estudante de uma universidade em São Paulo, agredida de todas as maneiras por estar de vestido curto, nos traz à tona a percepção de valores institucionais e valores estabelecidos por subgrupos que podem ser maiores que os fundamentados nas regras formais.

O que vale mais, o que deve ser feito ou o que foi pedido com jeitinho pelo colega, pelo subordinado ou pelo superior? Se o que deve ser feito ficou em segundo plano e prejudicou outra pessoa, seria correto inverter o jogo, inverter a ética, o respeito e a verdade, em nome de expurgos pessoais projetados justamente em quem foi prejudicado?

A moral para os agressores se traduz por violência, deboche, segregação e quase linchamento? Em pleno século XXI, numa grande cidade, num ambiente teoricamente democrático de troca de experiências, costumes e formações, a tal moral parece mais atitude de fanáticos autoritários e déspotas de séculos atrás. Talvez algo como o comportamento de Hitler com os judeus se aproxime da emocionalidade dos estudantes ao verem um vestido curto em sala de aula...

Seria interessante que no ambiente universitário onde ocorreu o episódio passasse filmes dos campi de outras universidades Brasil afora, para que seus estudantes fizessem um benchmarking* relativo a sociabilidade, amizade e, inclusive, aprendizagem e resultado final dos colegas, especialmente os que usam shorts, saias e vestidos curtos.

Nas empresas fazemos isto quase diariamente. Lemos notícias do mercado, procuramos nos relacionar com clientes, fornecedores e concorrentes, enfim, temos “jogo de cintura” para conhecer, transitar e tentar harmonização com as diferenças que serão sempre inevitáveis em todas as esferas de nossas vidas. Quando a harmonização não é possível, nos afastamos e seguimos em frente, sem ódios desgastantes e desnecessários.

No jogo do poder muitas vezes as regras são quebradas, não importando a hierarquia e nível de poder envolvido. Paradoxalmente no sentido ético é importante deixar claro que regras quebradas, quando assim forem, que sejam de comum acordo com todos (deveria ser sempre por votação), para superar um obstáculo circunstancial sem prejuízo imposto da cultura, hábitos e valores da equipe, de um ou outro ou de todo um segmento social.


* benchmarking – prática comparativa de sua instituição com outras, em diversos aspectos, com a finalidade de medir seu desempenho no mercado.

 
*Ricardo Alexandre Mendonça é consultor em Recursos Humanos, mestre em Psicologia PUC/RJ e especialista em Educação a Distância (EAD). Consultor do SENAC - RJ, IVAR - Instituto do Varejo-RJ e consultor por 6 anos do IBQN na área da gestão da qualidade total. Formação como avaliador do PQ/RIO 99. Escritor e palestrante. Realiza instrutoria e desenvolve projetos de treinamentos nas áreas gerencial e de gestão de negócios, tutor EAD do Sebrae Nacional e sócio diretor da Diferencial Educação & RH.