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Luiz Felipe Escarlate*




DESCULPAS VERDADEIRAS, ATÉ QUANDO ?


Pesquisas recentes apontam o Brasil como um dos países mais empreendedores do mundo. Somos um dos líderes do ranking dos países que mais registram novas empresas.  Isso nos enche de orgulho. Mas temos mesmo motivos para comemorar?
São diversos os conceitos dados à palavra empreendedor. Refletem inovação, determinação, liderança, risco, iniciativa, realização, etc. Gosto do conceito proposto por Stacey, 1980:

 “Empreendedores são aqueles que possuem habilidade de explorar inúmeros caminhos para assegurar o seu sucesso, sem se tornar desanimado pelo fracasso ao longo do percurso; um dos seus dons é diminuir suas perdas rapidamente; e um outro é levantar-se, sacudir a poeira e tentar novamente.”

Reflete bem a realidade dos empreendedores brasileiros. São formais e informais, ganham pouco e perdem muito, mas não desanimam. Sempre acreditam que vai melhorar. E como acreditam !

A cada ano mais e mais empresas são abertas no Brasil. No entanto, o número de empresas que fecham é igualmente impressionante. O primeiro aspecto a ser analisado é, o que leva a abertura de novas empresas no Brasil, vocação ou necessidade? Grande parte das nossas micro-empresas nasce por necessidade.  Pode-se atribuir essa constatação à crise do emprego. É uma fuga em busca da sobrevivência. E isso dá início a um verdadeiro processo entrópico que leva as empresas rapidamente à morte. Como isso funciona?

Independentemente do tamanho das empresas, a fase de planejamento pode significar a diferença entre viver ou morrer. Planejando colhemos elementos importantes sobre os mercados consumidor, fornecedor e concorrente, avaliamos ponto comercial, identificamos necessidades de recursos financeiros, mão de obra, marketing etc. O planejamento nos aponta o caminho a seguir, as metas a serem alcançadas e as estratégias que utilizaremos para isso. Planejar significa, no mínimo, tirar a venda dos olhos. Enxergar alguma coisa e com isso reduzir riscos. Atropelando essa importante fase, todas as ações, a partir de então, se tornam reativas. Deixamos de controlar nosso negócio e passamos a reagir aos acontecimentos do dia a dia. Passamos de administradores a bombeiros. Isso mesmo vamos apagar incêndios!

A saída é orientar e conscientizar os empreendedores que no mínimo quatro características devem predominar nas suas ações: o estabelecimento de metas, o planejamento e monitoramento sistemático, o comprometimento e a persistência. Elas são chamadas de características de comportamento empreendedor mobilizadoras. São elas que vão orientá-los à obtenção de resultados. Significam olhar para frente, sonhar e estabelecer um marco, estudar as possibilidades e fazer as suas escolhas, abraçar esse objetivo incondicionalmente e até mudar de estratégia se for necessário, mas jamais desistir do sonho.

Sem isso, todas as justificativas encontradas para o insucesso passam a ser mera desculpa verdadeira. A desculpa da moda atualmente é a Taxa Selic elevada que leva a recessão, mas também tem os impostos, a concorrência, o cliente que está exigente, etc. Sim, todos esses fatores são fortes influências, mas não são causas determinantes. Há quantos anos ouvimos sempre as mesmas justificativas? As escuto desde que nasci e não pretendo escutá-las até morrer. São desculpas verdadeiras. As empresas esperam que o estado crie condições para alavancar seus negócios. O estado diz que o futuro está nas mãos das micro e pequenas empresas. Enquanto acreditarmos nisso nos furtaremos às nossas próprias responsabilidades nesse doloroso processo.

Sou daqueles que defende a idéia de que precisamos fazer primeiro o dever de casa. Abrir um negócio, mesmo que por necessidade, sem um mínimo de preparação é deixar de morrer hoje para morrer amanhã.

Precisamos comemorar vidas e não apenas nascimentos.  

* Luiz Felipe Escarlate é professor, Administrador, graduando em Ciências Contábeis, especialista em Gerência de Projetos, Tutor-Master E-learning, Consultor e Sócio-Diretor da Plano Consultoria Empresarial Ltda.