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COMPORTAMENTO COMO DIFERENCIAL COMPETITIVO
Sueldo
Câmara*
Ao Longo de muito tempo, aprendemos que a receita para o sucesso
profissional estava associada unicamente á competência
técnica, ou seja, a capacidade de saber fazer bem determinadas
tarefas, ou possuir as habilidades necessárias para a
execução de uma determinada profissão. Isto seria
bastante para garantir um lugar no mercado de trabalho, principalmente
para aqueles que se preocupassem em continuamente melhorar o “saber
fazer.”
Poderíamos atribuir este paradigma – infelizmente ainda adotado
por muitas pessoas – como um resquício da era industrial,
ancorado pelos princípios da racionalização do
trabalho, defendidos por Frederick Taylor, onde a ênfase nas
tarefas e na produtividade, a destreza no fazer e nos aspectos
racionais do trabalho eram imperativos na época. Na era
pós-industrial, onde os bens mais importantes são a
inovação, a criatividade e o capital intelectual, a
produtividade e a eficiência técnica continuam sendo
valorizadas, com o detalhe de que um dos seus ingredientes chama-se
“Clima Organizacional” (Termo que serve para designar o nível de
satisfação e relacionamento entre as pessoas em uma
corporação) responsável por 30% da produtividade
em uma organização, segundo pesquisa feita pela
empresa brasileira Hay, consultoria em Recursos Humanos, o que
pode significar um diferencial, em um ambiente instável e
competitivo. Revela-se então, outro aspecto tão
importante quanto à capacidade técnica, isto é, as
qualidades comportamentais que uma pessoa deve inserir em seu perfil
profissional.
A UNESCO estabeleceu a sua política educacional para o
século XXI apoiada em quatro pilares com o mesmo nível de
importância e que se relacionam entre si: Aprender a Conhecer,
Aprender a Fazer, Aprender a Ser e Aprender a Conviver, uma abordagem
sensata que certamente serve de parâmetro para se avaliar perfis
profissionais. Observamos que os quatro pilares contemplam os aspectos
cognitivos e técnicos, através do Saber Conhecer e Saber
Fazer e as habilidades humanas e de relacionamento através do
Saber Ser e Conviver. Isso demonstra que a formação
educacional e profissional de uma pessoa não pode se limitar ao
conhecimento e ao pragmatismo técnico, mas também ao
pensar criativo, ao controle de emoções e sentimentos e
ao estabelecimento de valores éticos e capacidade de
relacionamento interpessoal.
Pesquisa em 522 importantes empresas, feita pela revista Você S.A
em parceria com a consultoria Saad-Felipelli revelou que 87% das
demissões tem como causas principais os problemas de
comportamento, percentual que na realidade pode ser muito maior,
considerando que no momento da demissão, para não
constranger o profissional, muitas organizações preferem
atribuir a dispensa a outras causas como “corte de custos” “conjuntura”
“reengenharia” etc. Em um cenário onde a maioria das pessoas
conscientiza-se da necessidade de se absorver continuamente
conhecimentos técnicos-científicos para o aprimoramento e
excelência em suas áreas de atuação, a
tendência é um nivelamento neste sentido entre os
profissionais, a diferença será exatamente o Saber Ser e
Conviver.
O conceito de comportamento vai muito além de boas maneiras ou
polidez, alguém pode ser possuidor de esmerada
educação e mesmo assim apresentar sérios problemas
comportamentais, a partir do momento que se mostra extremamente
individualista e avesso ao trabalho em equipe, resistente a
mudanças, inflexível em negociações, ou
simplesmente não consegue se comunicar bem com os pares e
superiores, não gosta de compartilhar conhecimentos ou é
arrogante com colaboradores. Seria uma quimera imaginar um ambiente
organizacional constituído por pessoas que beiram á
santidade ou perfeição nos aspectos comportamentais,
tendo em vista que limitações e defeitos são algo
inerente á natureza humana, mas saber lidar com os conflitos que
certamente surgem na empresa e transformá-los em algo
enriquecedor para o clima organizacional é uma habilidade humana
também valorizada, que reforça ainda mais a tese de que o
Saber Ser e Conviver podem ser a grande diferença na hora de
conquistar e manter um emprego, consolidar uma carreira e desenvolver
uma organização.
Sueldo
Câmara é Consultor e Palestrante nas áreas de
empreendedorismo, gestão e liderança, Professor da Uern e
UnP
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