“No mundo, apenas o bom
senso é bem distribuído.
Todos garantem possuir o suficiente.”
(René Descartes)
Recentemente publiquei um artigo intitulado “Gênese da
Corrupção”, no qual faço um apanhado
histórico remetendo às nossas origens e ao processo de
colonização da terra brasilis capitaneado inicialmente
pelos chamados degredados. Alguns portugueses e descendentes
sentiram-se ofendidos. Inclusive foi registrado um caso de um leitor
que compareceu à redação de um jornal, no qual sou
colunista, para expor sua indignação ao Editor.
O episódio inspirou-me a versar sobre a questão da
razão e do bom senso. E a tecer comentários diversos que
presumivelmente não são do conhecimento da maioria dos
leitores que acompanham meu trabalho.
Sou um escritor por opção, por paixão e por
vocação. Não por profissão. Embora meus
artigos sejam publicados atualmente por mais de 200 veículos da
mídia eletrônica (Internet) e impressa (jornais e
revistas), em 11 países, sendo possível contabilizar
presentemente links para mais de 20.000 páginas através
do Google (www.google.com.br), para mencionar apenas o buscador mais
utilizado, não recebo um único centavo por linha, lauda
ou página escrita.
Escrevo para compartilhar idéias e impressões, estimular
debates e reflexões. Propor, hora um olhar crítico sobre
um tema que afeta nossa sociedade, hora um toque ameno sobre as
virtudes esquecidas. A objetividade da razão em alguns momentos,
a subjetividade da emoção em outros. Enfim, não
vivo de escrever, escrevo sobre a vida.
É evidente que muitas vezes chego a ser polêmico, correndo
o risco de desagradar a alguns. Os assuntos acabam sendo abordados
superficialmente, haja vista que os textos devem buscar a
concisão, conferindo a inadequada impressão de serem
taxativos e dogmáticos quando na há a pretensão de
se impor regras. Não busco a unanimidade. Ela seria o fim, posto
que não utópica, mas indesejável.
É a partir da adversidade que se pode aprender, crescer e se
desenvolver. Lembro-me de Fernando Pessoa: “Tenho prazer em ser vencido
quando quem me vence é a razão, seja quem for seu
procurador”. É claro que não mudo de opinião com a
volubilidade típica dos adolescentes, mas tenho a flexibilidade
lapidada pela maturidade. E não tenho compromisso com o erro.
O artigo em questão apresentou aspectos extraídos de
nossa história, como a definição de quem eram os
degredados. Gente de menor estirpe, o que não significa uma
generalização do perfil de toda uma raça.
Tratava-se de fatos e, como tais, inquestionáveis. Inexistem
argumentos capazes de refutá-los. Ademais, desenvolvo teses que
minha razão julga coerentes. São as minhas teses que
podem ser apreciadas ou não, compartilhadas ou repudiadas. Podem
ser lidas ou descartadas, da mesma forma como se pode, com um simples
pulsar no controle remoto, mudar de canal na televisão. E
acrescento: representam minha opinião, a do autor, e não
a do veículo que a publica, o qual será sempre digno de
respeito e admiração enquanto não optar pela
prática despudorada da censura.
Lutamos muito, anos a fio, pelo sonho de liberdade. Todos os tipos de
liberdade. E a liberdade de expressão é uma das suas mais
belas formas. Através da palavra exercemos a cidadania,
consolidamos a democracia, fortalecemos nossas
instituições. A presunção da verdade, a
expectativa de se imaginar dono da razão, qualquer seja ela, nos
apequena, nos menospreza e nos enfraquece.
É a crença na verdade, postulada com base em
razões pessoais, que alimenta os mais variados conflitos. Greves
intermináveis que poderiam sequer ter iniciado mediante uma
negociação equilibrada. Diretores que praticam a
máxima do “manda quem pode, obedece quem tem juízo” junto
aos seus subordinados, e depois lhes cobram iniciativa, entusiasmo e
motivação. Candidatos a cargos políticos que se
digladiam como se não existissem pontos de convergência em
seus discursos, mas cujas práticas se espelham. Casais que
“discutem a relação” sem perceberem que ela deve ser,
antes de tudo, vivida.
Sêneca dizia: “Gosto de aprender porque me capacita a ensinar”. A
cada novo artigo publicado, sempre acompanhado de meu endereço
eletrônico, aguardo com expectativa e recebo com
satisfação mensagens de meus leitores. E jamais deixei de
responder pessoalmente a quem dedicou minutos de seu tempo para
escrever-me.
Lamento que nenhum dos lusitanos insatisfeitos tenha optado por dirigir
a mim seus comentários. Teria tido a oportunidade de descobrir
que em minhas veias corre sangue de ascendência grega. E
portuguesa.
* Tom Coelho, com formação em
Economia pela FEA/USP, Publicidade pela ESPM/SP,
especialização em Marketing pela MMS/SP e em Qualidade de
Vida no Trabalho pela FIA-FEA/USP, é empresário,
consultor, professor universitário, escritor e palestrante.
Diretor da Infinity Consulting e Conselheiro Executivo do NJE/Ciesp.
Contatos através do e-mail tomcoelho@tomcoelho.com.br. Visite:
www.tomcoelho.com.br.
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