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GOVERNOS PASSAM, EMPRESAS FICAM

Ricardo Alexandre Mendonça *

Governos democráticos, bons ou ruins, são eleitos pelo voto popular e repetidamente prometem melhorias nos índices de qualidade da saúde, educação, economia, desenvolvimento social, humano, etc.

Há tempos leis e mais leis são criadas para estimular estas melhorias. Não obstante em se tratando de governos, poucas vezes são cumpridas. Desculpas são o que não faltam, juntamente com o já clássico jogo de “empurra a culpa” para a incompetência das não realizações. Uma vez findo o governo, o próximo que se anuncia, ainda em campanha eleitoral, acusa-o de todas as intempéries pelas quais passa o povo e promete mundos e fundos de novidades, melhorias e felicidades, tal qual um falso messias.

Empresas também são governadas mas parecem ter um compromisso mais sério com as melhorias que a maioria dos governos transitórios. Embora muitas cometam falcatruas, tentam de todas as maneiras crescer no mercado. A função marketing em boa parte das vezes tenta ser bem utilizada ao contrário do marketing governamental que gasta centenas de milhões para anunciar inaugurações de hospitais inacabados e sem médicos, escolas sem professores e estradas sem asfalto e acostamento. Nenhuma empresa privada faria isto, pois provavelmente seria muitas vezes acionada pela defesa do consumidor além de “queimar” sua imagem no mercado e possivelmente desaparecer em pouco tempo. Os governos, ao contrário, não tem medo de se queimar pois raramente são punidos.

Mesmo sendo seu objetivo maior o lucro, empresas precisam de funcionários capacitados, treinados e com um nível de relacionamento social transparente que traga confiança aos consumidores. Por lei as empresas com um n° maior que determinados funcionários, deve ter creche, escola, ambulatório, restaurante e instalações e equipamentos que favoreçam a segurança, a saúde e a qualidade de vida. Muitas promovem o reconhecimento pessoal e profissional do funcionário, motivando-o diretamente ao aperfeiçoamento nestas esferas, o que de certa maneira o torna um cidadão melhor em diversos aspectos.

Em outro artigo escrevi que empresas formam cidadãos através de seus programas de melhorias. Volto a dizer que sua responsabilidade é enorme, uma vez que preenchem lacunas governamentais que em muitos casos promovem inclusive a ética na organização, o que se adotado como comportamento ajuda a disseminá-la na sociedade como um todo.

Governos fazem metas para quatro anos. Empresas fazem para pelo menos dez anos. A probabilidade do sucesso de um planejamento simultaneamente a gestão do capital, é infinitamente maior na empresa. Há mais seriedade e mais cobrança com resultados efetivos, há mais comprometimento de todos, há mais competição em tempo real e há mais vontade de crescer por parte de seu corpo funcional.

Empresas tem a faca e o queijo na mão para formar cidadãos desde que tenham boa vontade e mantenham os comprometimentos legal e social a que se propõem. Pelo aspecto legal costumam fazer. Pelo aspecto social basta a boa vontade.

Micros e pequenas empresas também podem desenvolver a questão cidadania e ética na filosofia de vida de seus funcionários. Conversas, pequenas palestras, programas culturais diferentes e produtivos, exemplos de empresas que deram certo sendo conduzidas corretamente, etc. Muitas são as maneiras de colocar esta responsabilidade em prática sem necessariamente gastar um dinheiro que possa comprometer o fluxo de caixa.

Muitos também são os exemplos, ao contrário do que comumente é divulgado, de empresas que passam por governos, crises e moedas ao longo de anos. Tornam-se exemplos de superação, empreendedorismo, inteligência e persistência.

Sua empresa vai passar ou ficar?

*Ricardo Alexandre Mendonça é consultor em Recursos Humanos, mestre em Psicologia PUC/RJ e especialista em Educação a Distância (EAD). Consultor do IVAR - Instituto do Varejo-RJ e consultor por 6 anos do IBQN na área da gestão da qualidade total. Formação como avaliador do PQ/RIO 99. Escritor e palestrante. Realiza instrutoria e desenvolve projetos de treinamentos nas áreas gerencial e de gestão de negócios, tutor EAD do Sebrae Nacional e sócio diretor da Diferencial Educação & RH.