Ricardo Mendonça *
       

  Grupos e Liderança




 


Sabemos que a vida de um grupo tem várias fases e muitos autores as classificam de formas diferentes. Vamos utilizar aqui os conceitos de inclusão, controle, afeição e despedida de Shutz no que se refere ao desenvolvimento de treinamentos de equipes.
 

Na fase de inclusão devemos agir de forma ativa no sentido de estimular o treinando a participar dos momentos iniciais assim como ficarmos receptivos à todas às dúvidas e inseguranças pessoais que aparecem neste momento com relação ao líder, aos colegas e ao grupo como um todo.  Na fase de controle, quando o grupo está seguro de seu ritmo e seu próprio potencial de trabalho, devemos estimular o debate e maiores participações para que os treinandos não se cristalizem em seus modelos de participação e pontos de vista e fiquem abertos às trocas que sempre estão acontecendo. Na fase de afeição o líder deve incentivar, reconhecer e elogiar cada vez mais as participações para que o círculo de trabalho do grupo crie uma identidade maior. É o momento mais delicado a meu ver pois é agora que a confiança no líder se solidifica e deve ser correspondida. Na fase de despedida o líder deve deixar um canal aberto para a comunicação após o término do treinamento, assim como auxiliar quem tem dificuldades em suas participações, e, estimular muito o espírito empreendedor de cada um para utilizar em seus trabalhos e em suas próprias vidas.
 
Centralizando muito a Liderança
 
Se o líder agir de forma centralizada e autoritária vai impedir as manifestações espontâneas de insegurança, afeto e dúvidas que sempre aparecem nos treinandos. Vai também provocar a união de muitos membros do grupo no sentido de desmotivar os outros. Isto se dá pois vão mandar mensagens de crítica ao líder nas avaliações, o que iria provavelmente contaminar todos os outros futuros participantes. O resultado seriam possivelmente muitas faltas aos treinamentos e uma péssima imagem da empresa para seu time de colaboradores.
 
Quando o líder age colaborativamente já conhecemos os resultados: o grupo fica muito participativo, aberto à participações, sem medo de se expor, tranquilo que suas inseguranças serão bem recebidas e trabalhadas e, finalmente, cria-se um clima de amizade e respeito que é fundamental para o bom resultado de participação, conhecimento e mudanças para todos, líder e treinandos.
 

Na fase de "contra-dependência", o grupo está buscando sua identidade e, nesta etapa,  o líder deve estimular o conhecimento dos participantes entre si. À este respeito, exercícios de "Apresentações Pessoais" são de muita importância para o estabelecimento de relações sub-grupais dentro do próprio grupo maior. Esta busca de identidade do grupo é inerente a qualquer tipo de grupo. Cabe ao líder observá-la e participar quando conveniente. O líder deve estimular sempre os comportamentos da autonomia e ao mesmo tempo "construções em conjunto" para solidificar as participações no ambiente do treinamento e possibilitar um resultado mais satisfatório para todos, treinandos e empresa.


*Ricardo Mendonça é consultor em Recursos Humanos, mestre em Psicologia PUC/RJ e especialista em Educação a Distância (EAD). Consultor por 6 anos do IBQN na área da gestão da qualidade total. Formação como avaliador do PQ/RIO 99. Escritor e palestrante. Realiza instrutoria e desenvolve projetos de treinamentos nas áreas gerencial e de gestão de negócios, tutor EAD do Sebrae Nacional e sócio diretor da Diferencial Educação & RH.