Sabemos
que a vida de um grupo tem várias fases e muitos autores as
classificam de formas diferentes. Vamos utilizar aqui os conceitos de
inclusão, controle, afeição e despedida de Shutz
no que se refere ao desenvolvimento de treinamentos de equipes.
Na
fase de inclusão devemos agir de forma ativa no sentido de
estimular o treinando a participar dos momentos iniciais assim como
ficarmos receptivos à todas às dúvidas e
inseguranças pessoais que aparecem neste momento com
relação ao líder, aos colegas e ao grupo como um
todo. Na fase de controle, quando o grupo está seguro de
seu ritmo e seu próprio potencial de trabalho, devemos estimular
o debate e maiores participações para que os treinandos
não se cristalizem em seus modelos de participação
e pontos de vista e fiquem abertos às trocas que sempre
estão acontecendo. Na fase de afeição o
líder deve incentivar, reconhecer e elogiar cada vez mais as
participações para que o círculo de trabalho do
grupo crie uma identidade maior. É o momento mais delicado a meu
ver pois é agora que a confiança no líder se
solidifica e deve ser correspondida. Na fase de despedida o
líder deve deixar um canal aberto para a
comunicação após o término do treinamento,
assim como auxiliar quem tem dificuldades em suas
participações, e, estimular muito o espírito
empreendedor de cada um para utilizar em seus trabalhos e em suas
próprias vidas.
Centralizando muito a Liderança
Se o líder agir de forma centralizada
e autoritária vai impedir as manifestações espontâneas de insegurança, afeto e dúvidas
que sempre aparecem nos treinandos. Vai também provocar a união de muitos membros do grupo no
sentido de desmotivar os outros. Isto se dá pois vão mandar mensagens de crítica
ao líder nas avaliações, o que iria provavelmente contaminar todos
os outros futuros participantes. O resultado seriam possivelmente muitas faltas aos treinamentos e
uma péssima imagem da empresa para seu time de colaboradores.
Quando o líder age colaborativamente
já conhecemos os resultados: o grupo fica muito participativo, aberto à
participações, sem medo de se expor, tranquilo que suas inseguranças serão bem
recebidas e trabalhadas e, finalmente, cria-se um clima de amizade e
respeito que é fundamental para o bom resultado de participação, conhecimento
e mudanças para todos, líder e treinandos.
Na fase de "contra-dependência", o grupo está buscando sua identidade e, nesta etapa, o líder deve estimular o conhecimento dos participantes entre si. À este respeito, exercícios de "Apresentações Pessoais" são de muita importância para o estabelecimento de relações sub-grupais dentro do próprio grupo maior. Esta busca de identidade do grupo é inerente a qualquer tipo de grupo. Cabe ao líder observá-la e participar quando conveniente. O líder deve estimular sempre os comportamentos da autonomia e ao mesmo tempo "construções em conjunto" para solidificar as participações no ambiente do treinamento e possibilitar um resultado mais satisfatório para todos, treinandos e empresa. *Ricardo Mendonça é consultor em Recursos Humanos, mestre em Psicologia PUC/RJ e especialista em Educação a Distância (EAD). Consultor por 6 anos do IBQN na área da gestão da qualidade total. Formação como avaliador do PQ/RIO 99. Escritor e palestrante. Realiza instrutoria e desenvolve projetos de treinamentos nas áreas gerencial e de gestão de negócios, tutor EAD do Sebrae Nacional e sócio diretor da Diferencial Educação & RH. |