*Paulo
Araújo
O discurso é
conhecido, as palavras soadas com emoção levam muitos as
lágrimas, mas convenhamos, essa postura politicamente correta
sempre me pareceu uma grande ilusão organizacional. Estou
falando sobre a velha pregação de que aqui nessa empresa
fazemos parte de uma grande família, de que as pessoas
são o que há de mais importante. Caso fosse efetivamente
o mais importante; salário não estaria na coluna das
despesas, mas sim na de investimentos, o departamento de Recursos
Humanos chamaria Desenvolvimento de Seres Humanos, e o processo de
demissão muito mais justo e somente ocorreria em último
caso, afinal é difícil pai ou mãe mandar filho
embora, não é verdade?
Quero gerar uma
reflexão sobre o tema, e pelo amor de Deus, não pense que
sou contra as pessoas ou um desses capitalistas selvagens que só
pensam no lucro a qualquer custo. Muito pelo contrário! Somente
quero colaborar para que essa grande ilusão afete menos sua
carreira, pois palavrinhas como segurança e estabilidade no
emprego praticamente já não existem mais, pelo menos para
a grande maioria da população. Pretendo somente
ajudá-lo a entender que tudo tem o seu devido lugar. Vamos aos
pontos:
Pessoas
não são o que há de mais importante na
organização. Na verdade o que importa são
a integração e o equilíbrio entre o modelo de
negócio vigente, as tecnologias e sistemas adotados, os
relacionamentos com clientes, fornecedores e comunidade e é
claro as pessoas que trazem vida à essa empresa. Todos
são importantes! Funcionários e já
ex-funcionários da Varig demonstraram publicamente seu amor
à empresa. Raça, uma enorme vontade em dar a volta por
cima, mas só isso não bastou. A empresa tem um modelo de
negócio obsoleto, e não conseguiu ao longo do tempo se
adequar a uma nova realidade. Os resultados todos sabem!
Esforço
em demasia não comove ninguém, empresas querem resultados.
Trate de sempre pensar em como melhorar o seu desempenho, e isso
não é só bom para a empresa em que você
trabalha. E bom para você, para a sua vida! Nada de ficar
estagnado sempre usando as mesmas velhas soluções para os
novos problemas. Busque o algo a mais! Trabalhe com inteligência
e use sua energia em algo que efetivamente trará algo de bom e
novo para sua organização. Crie sua própria sorte.
Faça mais do que os outros, mas sem acabar com sua saúde,
relacionamentos amorosos ou boas amizades.
Regras
existem para dar um rumo, mas não são verdades
incontestáveis. O mundo está cheio de regras e
isso é bom! Mas em excesso cria bloqueios que com o tempo se
tornam intransponíveis. Permita-se quebrar algumas regras, fazer
algo diferente. Permita que as pessoas da sua equipe experimentem algo
novo. Caso hoje fosse proibido vender da forma como vendemos, como
iríamos criar um novo processo de vendas? E também
perceba as regras que inibem ou tornam sua empresa mais lenta e
burocrática. Lembre-se de que regras existem para ajudar e
não atrapalhar o desenvolvimento das pessoas.
Pode
ter certeza, um dia você vai sentir raiva, medo, tristeza ou
alegria. Você é um ser humano e tem todo o
direito de se sentir pressionado ou incomodado. Mas esses sentimentos
são seus. Perceba como você encara as
situações adversas, inconvenientes e a forma como reage.
Isso é determinante para seu sucesso. Tenha atividades que te
levem para outro mundo onde possa esquecer de tudo por alguns momentos.
Importante: com pessoas de fora da empresa, assim você aprimora o
networking e muda um pouco de assunto e ares.
A sua
família está na sua casa e não na empresa.
Mesmo que você trabalhe em um ambiente familiar é
importante saber distinguir a vida profissional da pessoal, o
relacionamento entre pais e filhos ou entre parentes. A carreira
é sua e ao final você vai perceber que tudo dependia de
como percebia, interpretava e reagia a cada situação.
Tudo pode ser feito de uma maneira diferente, mas somente no presente,
o passado já era e o futuro ninguém sabe. Mudanças
são feitas no presente! Quem tem medo, vive pela metade.
Liberte-se do medo. Pergunte sempre: o que de pior pode acontecer se
tudo der errado? Mas sem esquecer de também perguntar: o que de
melhor pode acontecer se tudo der certo?
Pronto, fim de artigo.
Não se iluda com a sensação de que seu ambiente de
trabalho é como aquela família típica italiana
barulhenta, briguenta, mas onde todos se amam. A grande aldeia
organizacional é diferente! Com quantos “irmãos” de seu
primeiro emprego você ainda se relaciona? E também
não caia no papo de que as pessoas são o mais importante,
pois isso cria uma sensação de segurança que
já não existe mais. Como já escrevi tudo é
interdependente e você tem nada mais do que um contrato de
trabalho com sua empresa. Trate de cuidar bem do seu comportamento e
atitudes caso queira ter uma história com um final feliz. O importante não é só
descobrir os por quês, mas sim os para quês de sua carreira.
* Paulo
Araújo - palestrante e escritor. Autor de Motivação
- Hoje e Sempre (editora Qualitymark), entre outros livros