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O
melhor livro que já li tinha personagens fortes, complexos, às vezes de
comportamento infantil, às vezes sonhadores. De qualquer maneira eram
personagens fantásticos. O melhor livro que já li tinha uma floresta cheia de
árvores imensas, cortadas por feixes de sol, que transpareciam a fumaça vinda
do solo quente após a chuva. Neste
livro habitava uma mulher linda, muito linda, meiga, morena, muito cheirosa e
com um sorriso radiante por entre as covinhas. Habitava também uma bruxa má que
me dava medo, me impunha limites desnecessários e tolhia minha criatividade.
Tinha também um homem muito forte e com cara de mau. Ele não mexia comigo nem
eu com ele. Ele me respeitava e mal me via pois era muito ocupado. No
melhor livro que já li tinha uma borboleta azul enorme que voava sobre as
cabeças dos personagens fantásticos, deixando-os extasiados. Neste livro eu
tinha que ficar atento aos detalhes, tinha que organizar idéias, associação de
situações e resolver problemas e desafios todos os dias. Ele era cheio de
caminhos misteriosos e todos eram atraentes. Cada um apontava para uma vida
nova, um estilo diferente de ser, com seus riscos e alegrias. Era um livro
muito desafiador. Por vezes era cansativo, pois sentia falta de alguma normalidade,
alguma rotina que ele poucas vezes me oferecia. No
melhor livro que já li tinha um arco-íris sobre a
floresta e, ao fim dele, um
pote de ouro. Eu sabia que tinha um pote de ouro pois durante todo o
livro me era dito que tinha um pote de ouro. Eu li o livro todo mas
não consegui achar o pote de ouro. Na época eu era bem
novo e diziam que as pessoas novas, muitas vezes, não
entendiam de verdade o que estava escrito nos livros. Talvez por
isso eu não tenha achado o pote de ouro no fim do livro, como
diziam que tinha. Hoje,
depois de velho, eu não quero reler o livro e descobrir que as
pessoas que me deram conselhos estavam erradas; acho que ficaria
decepcionado com elas. Com que cara ficariam se eu as contasse que reli
o livro e, que ao final havia sim, um enorme pote de ouro! O
melhor trabalho do mundo deve ser igual ao melhor livro que já li, e, ainda por
cima, ter também um pote de ouro ao fim do arco íris. *Ricardo Mendonça é consultor em Recursos Humanos, mestre em Psicologia PUC/RJ e especialista em Educação a Distância (EAD). Consultor do IVAR, Instituto do Varejo - RJ e consultor por 6 anos do IBQN na área da gestão da qualidade total. Formação como avaliador do PQ/RIO 99. Escritor e palestrante. Realiza instrutoria e desenvolve projetos de treinamentos nas áreas gerencial e de gestão de negócios, tutor EAD do Sebrae Nacional e sócio diretor da Diferencial Educação & RH. |