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MENTIRAS CURRICULARES
De
cada dez currículos que chegam às empresas, quatro
têm informações distorcidas. E outros dois
contêm mentiras deslavadas. A conclusão é da
empresa de investigações Kroll, que presta serviço
de análise de currículos para companhias, depois de
analisar os dados de candidatos a emprego de nível gerencial
para cima. A maquiagem curricular não é exclusividade
brasileira. Nos Estados Unidos, a taxa de invenções
destinadas a impressionar contratantes é bem parecida, segundo
análises independentes do site Career Building e da consultoria
Accu-Screen, especializada em vasculhar referências de candidatos
a emprego.
O problema deverá crescer com o acirramento da
competição por empregos. Desde o início da crise
econômica, no final do ano passado, o Brasil fechou 700 mil vagas
de emprego formal. E muita gente que se sente ameaçada já
está tratando de procurar alternativas. A Manpower, empresa
especializada em recrutamento, registrou um aumento de 50% no
número de currículos recebidos. Numa
situação assim, cresce a pressão para se destacar
dos concorrentes e, consequentemente, a tentação de
mentir ou exagerar no currículo. Não vale a pena.
Especialistas afirmam que mentir para arrumar emprego é um
equívoco, em tempos de crise ou não. “Mentir pode
garantir mais entrevistas, mas não garante emprego. Na verdade
ajuda a afugentá-lo”, afirma o colunista da Revista ÉPOCA
Max Gehringer. Uma mentira, por mais “inocente” que seja, deixa o
candidato numa situação constrangedora e quase sempre
acaba eliminando suas chances de obter o emprego.
Após a entrevista, os aprovados ainda passam pela peneira da
checagem das referências – uma tarefa cada vez mais minuciosa em
departamentos de RH e consultorias. “Hoje em dia, os selecionadores
já têm conhecimento técnico para avaliar candidatos
de setores muito específicos”, afirma a consultora Juliana
Marotta, da Manpower. Ela é responsável pela checagem de
currículos de aspirantes a vagas no setor de tecnologia da
informação.
Os principais “maquiadores de currículo” são os jovens em
início de carreira. Carentes de experiência, eles tendem a
engordar seus CVs copiando modelos prontos, que geralmente pecam pelo
exagero. Entre os candidatos a cargos mais graduados, como o de
gerentes ou diretores, o risco de mentir é muito alto,
até porque as empresas costumam investir mais na checagem. “Uma
contratação de alto executivo é um investimento
estratégico e delicado, por isso os cuidados de segurança
são altos”, afirma José Augusto Minarelli, que há
26 anos ajuda executivos demitidos a arranjar emprego.
Fonte: Revista Época
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