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O MARKETING PARA DENTRO E PARA FORA DA EMPRESA
Ronaldo
Hofmeister*
A qualidade das pessoas que trabalham na empresa determinam o sucesso
ou fracasso das mesmas. Pessoas comprometidas atingem facilmente
qualquer meta ou objetivo estabelecido. As empresas devem empregar os
mesmos esforços e agressividade de atrair e manter clientes
também para contratar e reter os funcionários talentosos.
Uma empresa não tem apenas um tipo de marketing. Neste artigo e
no próximo vamos nos aprofundar um pouco no marketing interno.
O Objetivo do Marketing interno é atrair, desenvolver, motivar e
reter empregados qualificados. A meta é estimular um
comportamento eficaz de marketing construindo uma
organização de marketing em que todos os
funcionários se transformam em clientes da empresa. Um
colaborador bem informado e satisfeito com a empresa em que trabalha
é o melhor agente de marketing que uma empresa pode ter. O autor
Leonard Berry cita sete pontos essenciais na prática do
marketing interno: concorrer pelo talento, oferecer uma idéia,
preparar pessoas, trabalhar em equipe, influenciar o fator liberdade,
avaliar e recompensar, conhecer o seu cliente interno. Neste
número do caderno empreendedor analisaremos o concorrer pelo
talento, oferecer uma idéia e preparar pessoas.
Concorrer pelo talento
Fico me questionando por que tantos executivos colocam pessoas
não qualificadas para representar sua marca. O marketing
é utilizado para atrair clientes e nunca para incentivar novos
talentos a se candidatarem a novas vagas na organização.
Hoje existem publicações que valorizam as 100 melhores
empresas para se trabalhar, que de certa forma é um
posicionamento da marca favorável. O perfil do candidato deve
atender as expectativas do cliente e sua contratação deve
ser coerente com a atividade a ser desenvolvida. Contratar a pessoa
certa para a função certa é uma tarefa para
profissionais especializados, mas algumas vezes este talento pode estar
dentro da empresa, promove-lo deve ser uma atitude estudada e preparada
ao longo da carreira da pessoa na empresa. Improvisar ou contratar a
pessoa errada pode arruinar a imagem de uma empresa.
Oferecer uma
idéia
Colocar a pessoa certa no lugar certo não basta, é
preciso que este colaborador prenda-se a algo na empresa, o
salário não pode ser o único motivo para se
trabalhar. Compartilhar da mesma visão e trabalhar pelos mesmos
objetivos é fundamental. Todos devem ter uma compreensão
da organização e onde sua ocupação
interfere nas atividades dos outros colaboradores. Visão
compartilhada não é uma idéia, é uma
força no coração das pessoas e quando é
cativante o suficiente para obter apoio de várias pessoas deixa
de ser um sonho e passa a ser uma realidade. Uma visão é
realmente compartilhada quando você e eu temos a mesma
pretensão sobre determinado assunto e assumimos o
comprometimento mútuo de manter este compromisso, não
só individualmente, mas em conjunto. Este compartilhamento muda
radicalmente a relação das pessoas com a empresa, fazendo
que lutem por ela como se fosse sua empresa.
As visões compartilhadas surgem a partir de visões
pessoais. A única visão capaz de motivar alguém
é sua própria visão. Por isso é importante
contratar pessoas que tenham uma visão à compartilhar,
senão restará às pessoas simplesmente concordar
com a visão dos outros. Muitas empresas preferem e desejam
pessoas que pensem igual pois gera um nível de conforto alto e
tensão baixa, porem esta situação não
mantém a tensão criativa necessária as atividades
de marketing. A organização deve incentivar e encorajar a
compartilhar suas próprias visões, pois lembrem-se
sempre: a visão compartilhada por todos depende da visão
de cada um. Nenhuma visão será aceita se for
imposta.
Fala-se muito em vestir a camisa da empresa porem as empresas
simplesmente não oferecem a camisa para seus funcionários
vestirem, e algumas até exigem que você passe na “lojinha”
e compre a sua. Como comprometer-se desta forma?
Comprometimento vai além da participação, é
um sentimento de total responsabilidade da transformação
da visão em realidade. Enquanto aquele que participa quer que a
visão se realize mas fará apenas o possível o
comprometido fará o impossível, nem que para isso tenha
que mudar as leis. Porem para comprometer-se não é
preciso ser do contra, um revolucionário negativo, pelo
contrário, você deve ter um domínio pessoal e saber
compartilhar as sua visão e aceitar a visão dos outros.
Infelizmente a grande maioria apenas aceita a visão e a cultura
da empresa o que é muito diferente das duas anteriores
(participar / compremeter-se). Quem aceita é apenas um bom
soldado, que segue ordens e as cumpre bem.
Preparar Pessoas
O papel dos gerentes de nível médio mudou radicalmente
nos últimos anos. Antes a sua função principal era
planejar, organizar e controlar, hoje, também é
desenvolver pessoas. Não pensem que este profissional vai ter
que fazer de tudo pensar no cliente, no colaborador, no fornecedor, no
concorrente e ainda treina-lo. A verdade é que treinar
não é a palavra adequada a esta situação.
As empresas devem pensar em seus gerentes, coordenadores ou
orientadores como desenvolvedores de pessoas. São eles que vivem
o dia-a-dia junto com a grande massa de colaboradores e
são eles que sabem as necessidades da sua equipe. Após um
evento negativo, uma negociação errada, um
ação incorreta é a melhor hora para sentar e
discutir a situação e refletir sobre os fatos. Esta
reflexão leva ao desenvolvimento do ser humano que nenhuma sala
de aula conseguirá. É claro que o treinamento
também é necessário pois não podemos
esperar somente momentos de crise para refletir. Mas a
educação contínua exige dos líderes de
equipe atenção máxima, para aproveitarem cada
momento para sua equipe se desenvolver. Apenas recapitulando a
função do líder não será de
professor de sua equipe mas um facilitador de momentos de
reflexão não simplesmente treinar mas desenvolver
conhecimentos, habilidades e competências das pessoas para
prepara-las para encarar os desafios do dia-a-dia.
As empresas cada vez mais devem inspirar o aprendizado colaborativo,
por exemplo, através de listas de discussão na Internet
em que cada funcionário tem um espaço para relatar suas
dificuldades e todos os demais participantes podem ajuda-lo a resolver.
Seguindo a idéia da visão compartilhada podemos aprender
na empresa de forma compartilhada e a tecnologia permite que isto
não ocorra somente na sala de aula. O aprendizado colaborativo
descentraliza a educação eliminando a figura central do
professor/instrutor e valoriza a participação de todos. O
processo educacional fica centrado no aluno, com os aprendizes tomando
frente e determinado o ritmo e a direção do processo.
Portanto preparar as pessoas não é somente marcar
palestras, treinamentos e cursos mas incentivar a reflexão
contínua nos colaboradores para atender melhor seus clientes.
No Próximo número vamos falar mais sobre o assunto.
*Ronaldo
Hofmeister Consultor Associado da Meister Desenvolvimento Empresarial,
atua nas áreas de Marketing e Vendas. Mestre em
Administração pela UFSC e especialista em Marketing.
Professor Universitário atuante em diversos Cursos de Pós
Graduação. Consultor e instrutor do Sebrae. Produz
conteúdos para Internet e educação a
distância. Atuou em grandes grupos empresariais como Sodexho e
ACCOR.
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