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OS NOVOS CONSUMIDORES
Ronaldo
Hoffmeister *
Existem
vários termos que tentam identificar esta geração
que nasceu
no início da década de oitenta e em 2004 tem
entre 2 e 23 anos de idade, e não são apenas aquelas
ativas na Internet pois a maioria destas crianças não tem
acesso apenas algum grau de fluência no meio digital. Chamar este
grupo de Geração Digital me parece ser mais apropriado na
medida que reúne o poder da demografia e o poder da
análise da nova mídia.
A
mudança de difusão pública da unidirecionalidade
(TV) para a interatividade (Internet) é a base da
geração digital. Esta revolução nas
comunicações está moldando uma
geração e seu mundo, um fenômeno que já foi
visto anteriormente, quando os pais desta geração era
adolescente e a televisão estabeleceu-se como a tecnologia da
informação mais poderosa da história. A
geração digital utiliza uma mídia que tem uma
maior neutralidade, devido a sua natureza distribuída,
interativa e de muitos para muitos. Para os jovens versados em
Internet, os métodos da televisão são antiquados e
desajeitados.
Um novo
conjunto de valores está surgindo à medida que as
crianças passam a comunicar-se, brincar, aprender, trabalhar e
pensar com a nova mídia. O desenvolvimento infantil
pressupõe a evolução das habilidades motoras,
habilidades de linguagem e habilidades sociais, além do
desenvolvimento de cognição, inteligência,
raciocínio, personalidade. Durante a adolescência
desenvolve-se a criação de autonomia, um sentido de
individualidade e valores. Tudo isso é intensificado num mundo
interativo, pois quando controlam seu meio, em vez de observá-lo
passivamente, as crianças se desenvolvem mais rapidamente.
Embora esta
geração tenha diferentes classes sociais,
religiões e perspectivas alguns padrões estão
emergindo pois não acreditam que as instituições
tradicionais possam lhes proporcionar uma vida boa e tentam assumir
pessoalmente a responsabilidade pelas suas vidas. Estes jovens
valorizam bens materiais, estão mais informados que a
geração anterior e preocupam-se com as questões
sociais, acreditam nos direitos individuais mas não são
individualistas pois discutem cada vez mais sobre a necessidade de
mudanças sociais fundamentais.
Alguns
conflitos aparecem e existe uma crescente onda de severidade com os
filhos. Parte da inquietação dos adultos com
relação aos jovens advém de sua
preocupação com as crianças e a tecnologia. O
rápido crescimento da Internet está assustando os adultos
que sentem-se apreensivos com essas poderosas ferramentas nas
mãos de crianças, principalmente pois admitem não
compreender bem a nova tecnologia. Os pais estão com medo de
perder o controle sobre os filhos.
A
geração digital já tem um significativo poder de
compra e estão se tornando consumidores importantes por sua
agilidade e influência na decisões de compra dos adultos.
Eles tem opiniões próprias formadas tanto para os
produtos que seus pais lhes compram como nas compras dos
próprios pais. Em parte devido à dianteira dessa
geração, cada vez mais os fornecedores ligados a produtos
e serviços irão vender aos pais através do
marketing dirigido aos filhos.
Este
é um período único na história da
humanidade, em que o papel da criança no lar está
mudando. Pela primeira vez há coisas que os pais gostariam de
fazer e os filhos é que sabem fazer melhor. O adulto ainda
detêm maior conhecimento pois a experiência é
insubstituível, mas as implicações nesta realidade
são enormes. Membros da família passam a se respeitar
pelo que sua autoridade realmente representa, o mesmo está
ocorrendo nas escolas e consequentemente nas empresas. Precisamos
repensar como encarar esta nova geração consumidora.
*Ronaldo
Hofmeister Consultor Associado da Meister Desenvolvimento Empresarial,
atua nas áreas de Marketing e Vendas. Mestre em
Administração pela UFSC e especialista em Marketing.
Professor Universitário atuante em diversos Cursos de Pós
Graduação. Consultor e instrutor do Sebrae. Produz
conteúdos para Internet e educação a
distância. Atuou em grandes grupos empresariais como Sodexho e
ACCOR.
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