|
|
|
|
O PAPEL DO TUTOR NO ACOMPANHAMENTO DO PROCESSO DE APRENDIZAGEM EM EAD
|
O ano de 2005 foi marcado e
marcante no cenário das minhas experiências pessoais e
profissionais. Dentre outras ocorrências de significado especial,
um fato merece destaque – o convite recebido para assumir a Tutoria do
Curso de Pós-graduação, no Senac / RJ , de
Especialização em Educação a
Distância, na ocasião, em sua primeira
edição de oferta ao público-cliente.
Sou pedagoga, professora universitária, Mestra em
Educação, fascinada pelas relações
interpessoais que se desenvolvem em sala de aulas presenciais, como
produtos das interações vivas entre
aprendentes-ensinantes, na reciprocidade das trocas mútuas de
saberes e pensares. Assim, como iniciar um processo de acompanhamento a
distância? Como sentir os olhares, as expressões, as
vozes, os estados de espírito, os encontros e os desencontros,
os cantos e desencantos, as concordâncias e os contrapontos de
todo processo pedagógico que se pretende vivo, ativo,
dinâmico?
O convite assustou, como assusta o vislumbre de toda experiência
nova. A inquietação e a eterna procura por desafios, que
são traços presentes no meu jeito de ser, falaram mais
alto. E lá fui eu receber as primeiras orientações
técnicas sobre o uso da plataforma e os procedimentos gerais
para dar início ao acompanhamento do primeiro módulo do
curso que se iniciava.
Abri o fórum de apresentação e, como procedo nos
primeiros encontros com novas turmas de ensino presencial, busquei a
informalidade das informações pessoais, como recurso de
“quebra gelo”, e o grupo foi chegando...As trocas acontecendo...As
primeiras identificações se configurando...Expectativas e
receios sendo explicitados...
A essa altura, importante ressaltar, o sentimento de que ali estava um
grupo, diante de mim, em pleno processo de busca por inclusão,
fase em que a tarefa básica é o reconhecimento dos pares,
a identificação do contexto, a formação dos
vínculos iniciais de “pertença”, sem os quais a
confiança para uma abertura não se realiza.
Todo trabalho pedagógico pressupõe, para o êxito de
sua continuidade, a construção e o cultivo desse momento
inicial de trocas interpessoais – é, a meu ver, o primeiro passo
para a formação de um grupo ativo e interativo que,
gradualmente, vai elaborando a sua própria identidade e
caminhando no sentido da auto-gestão e da autonomia.
E esse meu novo grupo que, por escolha consensual, elegeu José
Manuel Moran como patrono e nome da turma, foi entrando no dia-a-dia da
minha vida, foi me envolvendo em suas demandas, mobilizando os meus
recursos, despertando a minha curiosidade com relação
às suas respostas às propostas de trabalho que foram
sendo apresentadas em seqüência à
programação do módulo inicial.
Como a linha psicopedagógica dos cursos a distância do
Senac é de natureza construtivista, os fóruns de debate
passaram a ser verdadeiros espaços de trocas e
construção de conhecimentos. O material postado por um
participante gerava réplicas nos demais – convergências e
divergências de idéias ali estavam presentes, dando um
colorido especial às discussões sobre os temas que, de
forma instigante, eram propostos nas atividades.
A participação efetiva do grupo era evidenciada,
também, nos encaminhamentos de artigos a serem postados na
Biblioteca Virtual, refletindo o desejo da partilha de
informações, em um movimento dialógico, onde todos
poderiam usufruir as “descobertas” de cada um. Notícias de
eventos correlatos ao curso – encontros, palestras, seminários,
notícias de jornal – passaram a ampliar a rede de
informações sobre Educação a
Distância, formando um acervo que passou a ser construído
por muitas mãos.
Da formação ao crescimento do grupo, em seu caminhar, foi
se gerando o meu próprio crescimento pessoal e profissional,
aplacando as inseguranças iniciais e promovendo uma desenvoltura
para a atuação na tutoria – os receios haviam sido
superados e eu me sentia, cada dia mais, parte dessa
construção.
O que posso partilhar com os leitores sobre o exercício da
função de Tutoria em cursos de EAD?
Sem dúvida, em primeira instância, competências
técnicas específicas precisam estar presentes na
condução e acompanhamento de grupos de aprendizagem a
distância – o domínio da plataforma, das ferramentas
disponíveis, das mídias agregadas, da
comunicação verbal escrita (objetiva, clara, correta e
precisa, apesar de coloquial e cautelosa, afetiva e adequada às
diferentes situações e demandas) são algumas
dentre as habilidades desejadas em um tutor.
No entanto, as competências pessoais e relacionais são o
diferencial que, a meu ver, transforma o processo solitário de
aprendizagem a distância em uma experiência que se projeta
para além da dimensão técnica da
construção do conhecimento. “Ver e ouvir”, “perceber e
sentir” , “empatizar e interagir”, a distância , são
requisitos essenciais na Tutoria. Estar atento aos sinais de uma
possível desmotivação do aluno que se afasta do
fórum de discussão ou demora a postar as atividades nos
prazos estabelecidos. Buscar contato com essa “ovelha”, aparentemente
“desgarrada”, como o Bom Pastor, que conta, a cada dia, o seu rebanho,
escutar suas dificuldades, incentivar a sua permanência,
“negociar” novos prazos que atendam às suas possibilidades,
trazê-lo de volta ao grupo, eis uma das nossas missões.
“Nenhum a menos” é o desafio!
Orientar sem impor, esclarecer sem dogmatizar, acompanhar sem dirigir,
respeitar o ritmo e as diferenças individuais, ser ágil
nas respostas às questões, dúvidas e necessidades
de informações que surgem entre o grupo, devolver os
trabalhos enviados, após leitura e correção,
sinalizando as incompletudes de forma construtivista, evitando a
conotação tradicional do erro como sinal de
“incompetência”, oferecendo novas oportunidades de
re-elaboração processual, tudo isso e muito mais
são procedimentos de um tutor-educador, que se pretende um
educomunicador e não um controlador da aprendizagem.
Ser tutor é ser professor? Eis a grande polêmica...Ser
tutor é ser educador? Disso não me restam
dúvidas...
* A autora é pedagoga, Mestra em
Educação, especialista em Educação e
Desenvolvimento de Recursos Humanos, Psicopedagogia Institucional,
Dinamização de Grupos. Professora da Universidade
Estácio de Sá, em
cursos de Graduação em Pedagogia e
Pós-graduação em Psicopedagogia e
Docência Superior. Exerceu a Tutoria do Curso de
Especialização em EAD
- SENAC / RJ, durante 2005, acompanhando os módulos 1, 3, 4 e 5.
|