O
nome do jogo é meritocracia. Descubra em 10 passos como e quando negociar um
pedido de aumento salarial. Afinal, tapinha nas costas não paga
contas.
Como Pedir
Aumento
“Se você pensa que pode, você
pode.
E se você pensa que não pode, você
está certo.”
(Mary Kay
Ash)
O mundo corporativo coloca em
pólos opostos o empregado, acreditando-se injustiçado porque ganha menos do que
julga merecer, e o empregador, convencido de que paga mais do que deveria pela
produção gerada.
Para vencer a batalha de
conseguir um aumento salarial, informação e astúcia são os ingredientes básicos,
aplicados conforme as dicas a seguir.
1. Faça uma
auto-avaliação criteriosa. Aumentos devem ser obtidos por
mérito antes mesmo de serem desejados. Por isso, pondere sobre sua performance.
Acompanhe seus relatórios de avaliação de desempenho e competências e o feedback de seu supervisor e colegas de
trabalho.
2. Pesquise o
mercado. Analise a média salarial do seu cargo no mercado
comparando-a com a média paga por sua empresa. Lembre-se de considerar o porte
da companhia. Não se pode esperar de uma pequena corporação a mesma capacidade
de remuneração de uma multinacional.
3. Conheça a
política salarial de sua empresa. Uma companhia com plano de
cargos e salários bem estruturado apresenta regras para promoção, premiação e
remuneração. Assim, pode haver critérios que considerem não apenas questões
qualitativas, vinculadas a resultados, mas também ciclos cronológicos
relacionados às faixas salariais. As normas podem até mesmo limitar a autonomia
do gestor na concessão de aumentos, impedindo-o de atender à sua
demanda.
4. Estude o
ambiente. Observe o desenvolvimento de seus colegas de
trabalho. Procure identificar um padrão de comportamento que possa ter conduzido
alguns profissionais a uma posição superior. Examine o mercado e a posição relativa
de sua empresa para descobrir como anda sua saúde financeira no momento. Faça
uma leitura do perfil e das reações de seu gestor a fim de notar a melhor
ocasião para abordá-lo.
5. Prepare o
terreno. Faça um levantamento de suas atividades buscando
mensurar os resultados alcançados. Elabore uma relação dos benefícios que você
traz para a corporação e como pode potencializá-los. Prepare uma proposta de
solicitação de elevação salarial atrelada às metas da empresa, com um
planejamento detalhado para um horizonte de doze meses, por exemplo, com
gatilhos de incremento em seus proventos a cada fase concluída do
projeto.
6. Dê o
bote. O melhor local: na própria empresa, em uma reunião a
portas fechadas para minimizar o risco de interrupções. O momento certo: logo
após a realização de um projeto bem sucedido e num dia em que o gestor esteja de
bom humor. A abordagem recomendada: clareza e objetividade na exposição, porém
sem denotar agressividade. Iniciar enaltecendo com autenticidade a companhia, o
cargo exercido, a liderança e a equipe. Explicitar o trabalho realizado, os
pontos positivos e as perspectivas futuras, conforme o planejamento traçado
anteriormente.
7. Quanto
negociar. Não há uma regra para isso. Primeiro, porque depende
da política da empresa. Os dissídios coletivos anuais são da ordem de 5%. Já os
aumentos vinculados ao tempo de serviço ou mudança de função dentro do plano de
cargos e salários giram em torno de 10%. Os maiores índices podem ser obtidos
quando acoplados ao resultado da companhia.
8. Esqueça os
apelos emocionais. A corporação não está preocupada com o fato
de sua família aguardar a chegada de trigêmeos, o filho mais velho ter
ingressado numa universidade privada ou seu avô exigir um caríssimo tratamento
médico. Separe a
pessoa do problema. Justificativas de cunho emocional podem até
funcionar uma primeira vez, mas o risco maior é causar constrangimento e
denunciar que você é um mau administrador de suas finanças pessoais – e, por
conseguinte, um péssimo exemplo de gerenciamento para a própria companhia. O
foco deve estar em seu desempenho e o nome do jogo é
meritocracia.
9. Esteja
pronto para negociar. Evidentemente, sua proposta pode ser
total ou parcialmente recusada. Neste caso, negocie benefícios, objetivando
ganhar mais no longo prazo com base em seu desenvolvimento pessoal. Assim, um
curso de idiomas ou um MBA podem representar uma transferência de despesa
pessoal que você teria e que será assumido pela empresa.
10. Mantenha
a confiança e a auto-estima. Uma postura determinada e segura
compõe uma imagem adequada ao seu marketing pessoal. Além disso, calcule os
riscos de sua iniciativa. Cuidado também com a opção de flertar com oferta de
trabalho de outra empresa. Poderá receber um “até logo” quando imaginava que a
proposta seria coberta.
Você avaliou seu desempenho,
estudou o mercado e sua companhia, planejou uma argumentação sólida e coerente
para respaldar seu pedido de aumento salarial e negociou. Se mesmo assim a
empresa tem sucessivamente negado um reconhecimento efetivo pelo trabalho, é
hora de considerar a possibilidade de mudar de emprego. Afinal, tapinha nas
costas não paga contas.
* Tom Coelho, com formação em
Economia pela FEA/USP, Publicidade pela ESPM/SP,
especialização em Marketing pela MMS/SP e em Qualidade de
Vida no Trabalho pela FIA-FEA/USP, é empresário,
consultor, professor universitário, escritor e palestrante.
Diretor da Infinity Consulting e Conselheiro Executivo do NJE/Ciesp.
Contatos através do e-mail tomcoelho@tomcoelho.com.br. Visite:
www.tomcoelho.com.br.