ORIENTAÇÃO
PROFISSIONAL - O PROCESSO SELETIVO NAS EMPRESAS
Tatiana Kowarski *
Muitas
pessoas procuram profissionais de Recursos Humanos buscando
orientações para um bom desempenho em processos
seletivos. O que devo dizer em uma entrevista? Como me comportar nas
tão temidas dinâmicas de grupo? E quanto aos testes e
provas? O que eu devo fazer para ser aprovado?
Talvez você já tenha pensado em perguntas como estas. E,
embora em um primeiro momento possa parecer frustrante, saiba que
não há uma resposta pronta, uma “fórmula” que
garanta a aprovação em um processo seletivo. Cada
processo é único, cada cargo exige um perfil particular,
cada etapa estará avaliando competências
específicas.
A boa notícia é que isto não significa que
não existam condições facilitadoras para o
enfrentamento de um processo de seleção. Veja algumas
orientações que poderão prepará-lo para um
bom desempenho.
Conheça a empresa para a qual está se candidatando.
Compreenda o processo seletivo como uma via de mão dupla.
Não apenas a empresa está escolhendo um profissional de
acordo com um perfil determinado; você também está
escolhendo uma empresa compatível com seus valores, interesses,
competências, aspirações, etc.
Pesquise e informe-se sobre a atividade fim da empresa, sobre sua
colocação no mercado, suas vantagens e desvantagens
competitivas, sobre as áreas de destaque e sobre os desafios
enfrentados. Não esqueça de buscar conhecer também
a história de empresa, sua fundação, suas origens
e suas principais transformações visando contextualizar a
situação presente.
Esta recomendação tem um duplo objetivo: por um lado, se
o processo seletivo é uma via de mão dupla, tais
informações o ajudarão a consolidar uma escolha
consciente; por outro lado, você estará mais preparado
para enfrentar as entrevistas de seleção, demonstrando
conhecimento acerca do negócio da empresa.
Durante as entrevistas você poderá mostrar, naturalmente,
seus conhecimentos sobre a empresa, demonstrando ao entrevistador seu
interesse pelo cargo ao qual está se candidatando. Mas como
mostrar “naturalmente” este conhecimento? Por exemplo, fazendo
perguntas embasadas sobre os negócios, sobre o cargo, sobre a
política de recursos humanos, etc. Não pense que por ser
o entrevistado você não deva fazer perguntas
também. Pelo contrário, levantando questões
pertinentes e fundamentadas você demonstrará seu
conhecimento e seu interesse acerca da empresa.
Seja um bom ouvinte.
Não permita que a sua ansiedade frente ao entrevistador
obscureça sua capacidade de escuta. Você só
poderá desempenhar-se bem em uma entrevista, comunicando-se com
clareza e objetividade, se for capaz de ouvir o que o entrevistador tem
a dizer. Só assim será possível estabelecer um
diálogo construtivo e favorável ao processo seletivo.
Ouvir significa manter a atenção focada no seu
interlocutor, não interrompê-lo e não antecipar
conclusões antes do término da mensagem. Mas lembre-se de
que ouvir significa, também, perceber as atitudes, as
expressões, a linguagem subjetiva por trás das palavras.
Estando atento a estes sinais você obterá elementos
importantes para nortear o rumo da entrevista.
Por exemplo: imagine que você percebeu comportamentos e atitudes
do entrevistador indicando impaciência; isto pode ser um sinal de
que você esteja sendo prolixo em algum tema pouco relevante. Ao
perceber este sinal, você naturalmente tenderá a concluir
sua fala, abrindo espaço para que a conversa seja conduzida em
direção a assuntos mais pertinentes. Agora imagine o
contrário: o entrevistador está impaciente, tentando
desviar o assunto, mas você não percebe e continua a
divagar sobre um tema que acredita ser importante, manifestando com
isso um comportamento que poderá até mesmo provocar
antipatia por parte do entrevistador.
Não pressuponha o que o entrevistador espera de você.
É claro que, ao conhecer a empresa e o cargo ao qual está
se candidatando, você poderá perceber muitas das
competências exigidas no processo seletivo. No entanto isto
jamais significa que você poderá saber o que efetivamente
está sendo avaliado e esperado nos bastidores do processo de
seleção. Isto se aplica a todas as etapas: da
elaboração do currículo, passando pelas
entrevistas, dinâmicas de grupo e provas situacionais.
Portanto, ao comparecer a cada uma destas etapas, deixe a “bola de
cristal” em casa; não há como pressupor o que está
sendo avaliado a cada momento. E nunca tente manipular o entrevistador
ou o dinamicista. Estes profissionais provavelmente perceberão
suas manobras, seja nas suas atitudes, seja nas suas eventuais
contradições. Seja honesto e autêntico – e se isso
não contar pontos a seu favor, será porque efetivamente
há incompatibilidades entre o seu perfil e o perfil do cargo.
Atenção a certos detalhes que fazem a diferença.
- Seja pontual; desligue o celular; não fume.
- Cuidado com a aparência: use trajes neutros, sem excessos de
adereços e sempre adequados à cultura da empresa e ao
cargo. Não use perfumes fortes.
- Apesar da ansiedade inerente à situação,
demonstre serenidade na postura corporal, nos gestos suaves, nas
mãos pousadas sobre seu colo, no tom de voz, no ritmo de sua
fala.
- Prepare-se para as entrevistas não apenas buscando
informações sobre a empresa, mas também imaginando
perguntas que poderão ser feitas e a melhor forma de
respondê-las com clareza – este exercício funciona como um
“ensaio” mental para o grande momento da entrevista.
- Não demonstre excesso de confiança ao enfatizar suas
qualidades e competências, nem excesso de humildade e/ou
subserviência. O equilíbrio entre auto-confiança e
auto-crítica, presteza e disponibilidade é um bom caminho
a ser seguido.
- Ética e honestidade. Muito cuidado com críticas aos
antigos empregadores. Você pode abordar dificuldades e conflitos
de forma ética, sem ironias, sarcasmo, críticas ferinas
ou reclamações.
Faça de cada processo seletivo um processo de aprendizado. Caso
não seja aprovado, reflita e avalie seu desempenho em cada
etapa. Você poderá descobrir lacunas a serem
desenvolvidas. E sempre que desejar você pode solicitar feedback
à empresa para compreender os motivos e aprimorar sua
auto-percepção. Invista em seu desenvolvimento pessoal e
profissional e entre com o pé direito em seu próximo
processo seletivo!
* Tatiana Kowarski é Psicóloga
do Tribunal Regional Federal da 2a Região, onde atua nas
áreas de Saúde e Recursos Humanos implementando
ações de capacitação e desenvolvimento de
pessoas. Também é Orientadora Vocacional/Profissional e
realiza atendimentos, atividades de supervisão e cursos na
área.
Conheça o site: http://orientandocaminhos.sites.uol.com.br
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