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Particularmente
acho uma invasão de privacidade este uso, uma vez que colocamos quem queremos
em nossas redes sociais e nenhum selecionador ou recrutador é, de antemão,
nosso amiguinho para estar nelas. Nas redes colocamos questões pessoais,
piadinhas, fazemos campanhas das mais variadas e temos inclusive a
possibilidade de compartilhar estas informações com quem quisermos em
detrimento de outros. Também
considero uma invasão de privacidade, na medida em que para se ter acesso ao
Orkut, Facebook ou outras redes do candidato, na maioria das vezes, é
necessário seu consentimento, consentimento este que pode ser dado apenas por
medo de não continuar no processo seletivo caso negue a autorização. Além do
mais, nestas redes, detalhes muito pessoais do candidato estão expostos somente
para quem ele confia. Que interesse pode ter um selecionador nas fotos do
candidato num jantar de amigos? Que interesse pode ter um selecionador
nas conversas debochadas sobre desavenças no futebol? Que interesse pode ter um
selecionador em conversas pessoais, marcações de saídas, combinações de
viagens, etc... ? Não consigo ver uma razão lógica, a não ser a razão de estar sendo guiado por um senso
fofoqueiro e bisbilhoteiro sem tamanho! O argumento da pesquisa e avaliação 360º
para bisbilhotar as redes sociais também não tem solidez alguma... há outras
ferramentas para isto. Existem redes sociais profissionais e, é com esta,
que o selecionador deve se preocupar. Pode solicitar gentilmente ao candidato
que tenha acesso ao que divulga nelas. Há que se ter a sensatez de perceber que
nestas redes, o lado teatral de muita gente cresce... para isso mesmo elas
existem também, para favorecer a desinibição. Neste caso o selecionador deve
ter muito cuidado para não confundir fantasia (brincadeiras) e realidade do
candidato. Modismos vão, modismos vêm, tecnologias aparecem a
cada dia e se inserem em nossos trabalhos e relações no mundo. O excesso de
exposição não deve gerar, na mesma medida, uma curiosidade bisbilhoteira de
recrutadores e selecionadores em nome das “facilidades que a tecnologia nos oferece para o trabalho”. Não é mais possível acreditar nos curriculuns? Não
é mais possível acreditar na grafologia? Não é mais possível associar técnicas
clássicas e eficientes como entrevistas, dinâmicas, simulações, testes projetivos
e psicotécnicos? Qual o interesse do selecionador em saber o que o
candidato achou do terno do príncipe William em seu casamento? Ou o que pensa
da “feijodada da tia Lourdes” aos domingos? Processo seletivo é uma coisa,
voyerismo é outra bem diferente... pelo menos estes profissionais de R&S
poderiam ter a elegância de autorizar que sejam deletados das redes dos
candidatos depois que eles forem aprovados. Não há a necessidade de um controle
da vida íntima e social dele. Todos querem conhecer a vida de todos e poucos
querem conhecer e melhorar a própria. Parece que “ver novela”, ou bisbilhotar
redes sociais, o que dá no mesmo, continua sendo um anestésico para as próprias
dores e defeitos, via de regra projetados nestas duas instâncias. Não há a necessidade também de expor amigos,
colegas e conhecidos, às bisbilhotices e “avaliações” de profissionais que
selecionam usando as redes como ferramentas. É o cumulo da falta de educação
expor amigos e familiares, por exemplo, com questões muitas vezes bem
particulares, aos olhos de curiosos profissionais. Todos tem seus segredos e podem ou não querer
compartilhar com um ou outro. Todos tem suas vidas sociais e podem ou não
querer compartilhar com seus empregadores. Ninguém é obrigado a isto e quem
obriga é déspota disfarçado de técnico no assunto, além de desinformado sobre
ferramentas poderosas que conseguem vasculhar as competências e princípios dos
candidatos, coisa que nenhuma rede social consegue. Ferramentas poderosas não
podem ser enganadas, redes sociais estão a serviço também da “cara” que cada um
quer ter. Elas podem enganar e muito! |