
Inge Christmann *
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Tenho
escrito muito, principalmente em fóruns e poesias, porém
ao me sentar para escrever um artigo sobre minha área de
atuação, vacilei. Vejo milhares de artigos escritos quase
que diariamente sobre o mais diversos temas de recursos humanos e
gestão de pessoas. E muitas vezes numa repetição
de idéias, paradigmas, e soluções para a
complicada arte da convivência profissional. É uma
infinidade de escritores, pesquisadores, estudiosos, curiosos,
experimentadores tentando decifrar como se manter no mercado e
conseguir driblar a acirrada competitividade destes nossos tempos de
globalização.
Existem receitas das mais diversas, desde
hábitos a serem enraizados, até treinamentos radicais e
de choque. Apesar de estar tentando sempre me manter atualizada sobre
as novas práticas de RH e suas ferramentas, confesso que muitas
vezes sinto-me pressionada a assimilar novidades e forçada a
querer transmiti-las aos outros aquilo que no fundo considero um pouco
como modismo. É a cobrança pela mudança. Assim
como todo o dia se troca de roupa, nos vemos obrigados a dormir
acreditando em uma prática ideal para nosso sucesso profissional
e quando acordamos ela já está ultrapassada.
Então entramos nessa viagem alucinante
e mudamos nossa roupagem profissional a cada nova idéia que
surge, como se nossa essência, o que somos, o que no fundo
acreditamos ser sucesso para nós não tivesse mais valor,
e aí nos perdemos. Além de termos que estar sempre
atualizado sobre as ferramentas de nosso trabalho, que considero uma
aprendizagem necessária, ainda temos que nos manter atualizados
sobre o que é ser um profissional que o mercado deseja.
Não basta mais sabermos nosso trabalho, e faze-lo com
competência e dedicação, não podemos gostar
de estar onde se está, tem que sempre estar se buscando novas
oportunidades de crescimento na carreira.
O aprendizado para nosso crescimento pessoal e
profissional agora é uma obrigação e não o
prazer de se descobrir e se encantar aos poucos com as novas
experiências, é preciso assimila-las e descarta-las com a
rapidez que as mudanças no mercado impõem. E as
mudanças e novos conceitos de um profissional com a cara que o
mercado deseja está cada vez mais carregada de qualidades de um
super homem. Lembro sempre das qualificações exigidas nas
vagas e muitas vezes me ponho a pensar se este profissional realmente
existe ou apenas vestimos a máscara do profissional ideal, e
como temos que vesti-la e trocá-la constantemente, já
não sabemos que rosto é aquele que miramos no espelho
todos os dias de manhã.
Deve ser apenas uma saudade, dos rostos
antigos, ou da leitura que encantou meu coração há
muito em que li que “o essencial é invisível aos olhos”.