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Assisti um filme chamado
"Surf Adventures". Conta a estória de
um grupo de surfistas brasileiros de vários estados e uma viagem
que fizeram pelo mundo em busca da "onda perfeita". Sei bem o que
é esta "fissura" pois peguei onda muitos anos de minha vida.
O espírito empreendedor é evidente em cada parte das viagens realizadas por eles, desde o planejamento das rotas geográficas até o gozo sublime de pegar as melhores ondas sonhadas. Os caldos, ou seja, quando caem de uma onda gigantesca e ficam muito tempo embaixo dágua quase sem fôlego e muitas vezes machucados por sérios cortes, arranhões e até fraturas pelo choque com corais submersos, não os fazem desistir de seus sonhos. "Sonhos"... palavra especial que como sabemos, é o cerne de todo movimento empreendedor individual, grupal ou social. Há tempos os jornais noticiaram que Carlos Burle e Rodrigo Resende, brasileiros, desceram o que está sendo considerada a maior onda que se tem notícia. Foi em Mavericks, Califórnia. A onda tinha 30 metros de altura. Carlos Burle é um surfista pernambucano de ondas grandes e já bem conhecido mundo afora. Rodrigo Resende, carioca, é cirurgião e abandonou a medicina para se dedicar ao surf, sua verdadeira paixão. Carlos Burle nunca quis fazer nada da vida e chegou a ser considerado um adolescente difícil até começar a ganhar campeonatos nacionais e internacionais e naturalmente muito dinheiro. Ao ler a matéria e fazendo paralelos com o empreendedorismo pude constatar o seguinte: A mãe do Rodrigo sempre disse a ele que se resolvesse abandonar a medicina para pegar onda, que ao menos pegasse as maiores e que se ele chegasse em casa com notícias de ondas pequenas ficaria sem jantar... Rodrigo então, que sempre chegava com fome depois de um dia surfando, seguiu os conselhos da mãe muito bem!!! Neste momento me veio à cabeça a figura do mentor, mesmo um mentor "inconsciente"... Retomando uma das definições de mentor, "aquele que interfere positivamente para potencializar, ampliar e acelerar a realização de seus projetos de vida e carreira". Para quem não conhece as teorias do Fernando Dolabela e do Jaques Fillion, mentor é ou foi alguém que nos inspirou muito profundamente em aspectos determinantes da vida. Pode ter sido um dos pais, uma babá, uma professora, um professor de alguma disciplina, etc, etc. Em função desta "inspiração" moldamos nossos comportamentos em muitos aspectos, de acordo com a "inspiração" recebida. Ela se manifesta em nossa alma e, visivelmente, em nosso caráter e nossas escolhas de comportamentos na vida. Podemos fazer uma análise profunda dos aspectos psicológicos envolvidos nesta relação Rodrigo e sua mãe, entretanto, não nos cabe como facilitadores de gestão de negócios e equipes, focar uma área que, se aprofundada, fugiria a nosso propósito. Toda a teoria do Fillion, um teórico fundamental para o tema, fica bem clara no filme. As visões e especialmente o conceito de si, etc, etc... "Ser o que se é" talvez seja a coisa mais difícil da vida para ser realizada em sua plenitude, entretanto o gostinho da luta para chegar lá, já nos faz ser quem somos. Naturalmente fazemos concessões, e muitas, caso contrário seríamos seres inconvivíveis. Tem surfista que não entra em mar grande; tem medo de se machucar ou coisa pior, eu atualmente sou um deles. Tem outros que gostam de mar muito grande, como nossos amigos citados. Ambos correm riscos calculados e em comum tem o gosto pela "adrenalina", pelo desafio, pelo prazer inenarrável que é se jogar de uma bela onda. Mesmo quando caem sabem que vem outras atrás. No caso deles tinha até helicóptero acompanhando a descida da onda para um salvamento, se possível, de emergência. Eu começo a acreditar numa "genética empreendedora"... irmãos com as mesmas referências psicológicas (teoricamente) funcionam de forma absolutamente diferente frente aos desafios e seduções que a vida oferece. Por que só um, de três por exemplo, seguiu o caminho "alternativo", empreendedor? Claro que como funcionários, colaboradores ou empregados, use a palavra que for mais confortável para você, também podemos empreender quando a organização permite. Mas estou falando do empreendedor autônomo; aquele que precisa aprender a conhecer e confiar em suas capacidades de ousadia e criação para viver ou sobreviver. Talvez a luta seja realmente maior, mas nada se compara ao gostinho da vitória após tantos planejamentos, quedas, sonhos, aprendizados, frustrações, dúvidas, etc, etc... Venho também pensando na possibilidade de estarmos lidando com um nível X de potencial empreendedor; aquele que quer mesmo explorar o desconhecido, correr riscos e acreditar no pote de ouro, seja lá como for este pote, atrás do arco íris. Empreendedor qualquer um é em alguma área de sua vida. Mesmo o sujeito mais burocrata do mundo é empreendedor de alguma maneira. Este tipo não é nem nunca será nosso cliente ou aluno; ele não pretende transformar suas convicções ou ampliar seu campo de visão. Os "surfistas" são nossos clientes e alunos. Eles querem conhecer o mar e aprender a ficar em pé na prancha para depois descerem as melhores ondas. Certamente tiveram um mentor, que como sabemos pode ter sido a pessoa mais imprevisível do mundo. Como facilitadores ou consultores devemos apenas mostrar-lhes as diferenças de marés, luas, tipos de ondas e, principalmente, que tipo de prancha é a mais adequada para que tipo de onda. Uma vez que aprendam a "teoria" devem escolher por si mesmos e inovar. Esta é a alma do empreendedor e da empresa de sucesso, acredito eu. *Ricardo
Alexandre Mendonça é consultor em Recursos Humanos,
mestre em
Psicologia PUC/RJ e
especialista em Educação a Distância (EAD).
Consultor do IVAR - Instituto do Varejo-RJ e consultor por 6 anos do
IBQN na área da gestão da qualidade total.
Formação como avaliador do PQ/RIO 99. Escritor e
palestrante.
Realiza instrutoria e desenvolve projetos de treinamentos nas
áreas
gerencial e de gestão de negócios, tutor EAD do Sebrae
Nacional e
sócio diretor da Diferencial Educação & RH.
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