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THE BOOK IS ON THE TABLE

Ricardo Alexandre Mendonça *




 ** O livro está sobre a mesa ou, em português coloquial (normal), o livro está em cima da mesa.
    

The book is on the table é uma frase já há muito utilizada para se referir à alguém que fala um inglês limitado ou com erros de redação. É também uma das primeiras frases que aprendemos depois da clássica “my name is ...” (meu nome é ...). A palavra book, quando associada à outras, pode ter também uma série de significados, como por exemplo: “overbooking” (venda maior de poltronas do que a capacidade do avião), “bookstore” (livraria), “bookmark” (marcador de livros); especialmente a palavra “bookmark” é hoje muito conhecida dos que usam a internet e neste contexto significa “adicionar o site aos seus favoritos numa lista”.

À cada dia o mercado globalizado exige o aprendizado do inglês, em especial, mas também de outras línguas emergentes, como o espanhol e o chinês. Infelizmente o francês que considero uma das línguas mais bonitas, não se incorporou à linguagem universal dos negócios e se restringe à França e suas colônias.

Nos testes de seleção para alguns cargos de trainee e gestão, além das competências técnicas checadas, nos entrevistam em inglês para avaliar nossa capacidade de conversar com alguém de outra empresa, ou até a mesma em outro país, para o qual o inglês é necessário. Normalmente os candidatos aprovados tem um bom conhecimento e fluência da língua e, quando as outras competências são checadas e aprovadas, o candidato é contratado. Uma vez funcionário da organização, começa a ter cursos e palestras com professores de fora, participa de reuniões naquele idioma e se aperfeiçoa cada vez mais.

O mesmo se dá com estudantes de MBA’s e algumas pós-graduações. Passam pela avaliação das competências (quais??) e fazem prova de inglês. Muitos candidatos são reprovados por terem as competências afiadíssimas mas estarem “enferrujados” no inglês. Os mais determinados começam então imersões, aulas particulares e, fazem todo o possível, para alcançarem o nível desejado pela universidade.

A fluência em inglês ou outro idioma se dá por várias razões: cotidiano de trabalho, viagens, leituras, imersões e outras variadas. O funcionário de uma empresa, normalmente se encaixa na primeira razão que é seu cotidiano de trabalho, ao passo que os consultores de maneira geral, se encaixam nas outras quando sabem falar outro idioma.

Soube de uma estória muito engraçada de um rapaz recém saído de um MBA em varejo que quase se matou de estudar inglês ao longo do curso e, que foi contratado pelo proprietário de um pequeno bar e restaurante, para auxiliá-lo na gestão de processos do estabelecimento. O dono do bar queria saber porquê justamente após às 23:00h, quando o movimento deveria aumentar, diminuia. Ao mesmo tempo havia aumentado o movimento no horário de almoço e diminuido o faturamento com bebidas, uma vez que este não é um horário boêmio por excelência.

O rapaz então fez tudo o que manda o figurino: análise do fluxo de caixa, fluxograma de entradas e saídas, análise da relação com os fornecedores, combinação mais produtiva para datas de pagamentos de algumas contas, etc etc. Descobriu também que um garçom que trabalhava à noite estava trabalhando à tarde e, como tinha acesso ao caixa, furtava pequeninas quantias eventualmente.

Com o relatório pronto culpou o garçom pela diminuição do faturamento e ficou surpreso quando o dono lhe disse: eu sei que ele me rouba um pouquinho às vezes, mas é o funcionário mais querido de todos os clientes e o que mais atrai a freguesia para o estabelecimento. O proprietário chegou à conclusão então que o erro se deu em transferi-lo para o horário da tarde onde não era ainda muito conhecido, deixando os fregueses da noite sem o “valor agregado” de seu bom papo, suas piadas, bom humor e jeitinhos que sempre conseguia para todos.

Moral da estória: o rapaz do MBA matou-se de estudar inglês em detrimento de algumas matérias em seu curso e supostamente deveria saber que no varejo ocorrem muitos furtos. Não perguntou ao dono do bar se lá acontecia também. Se a resposta fosse sim, se o proprietário dissesse que inclusive sabia o valor aproximado dos furtos, deveria haver outra causa para a diminuição do faturamento o que não foi pesquisado. Além disso os furtos do garçom eram compensados com o faturamento bom e constante que tinha quando trabalhava à noite. Naturalmente este funcionário voltou para o horário anterior!

Para o rapaz estudante vale dizer que, sobre varejo, The Book is on the Table, para que não cometa numa grande organização, que certamente é seu objetivo como funcionário ou consultor, o mesmo erro sem maior gravidade cometido no pequeno bar.


*Ricardo Alexandre Mendonça é consultor em Recursos Humanos, mestre em Psicologia PUC/RJ e especialista em Educação a Distância (EAD). Consultor do IVAR - Instituto do Varejo-RJ e consultor por 6 anos do IBQN na área da gestão da qualidade total. Formação como avaliador do PQ/RIO 99. Escritor e palestrante. Realiza instrutoria e desenvolve projetos de treinamentos nas áreas gerencial e de gestão de negócios, tutor EAD do Sebrae Nacional e sócio diretor da Diferencial Educação & RH.