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O VOLUNTARIADO PRECISA SER CAPACITADO
*Antonio
Lopes Filho
Você
permitiria ao funcionário da portaria de um hospital se oferecer
voluntária, rápida e gratuitamente, para substituir o
anestesista, que ficou preso no trânsito, em uma cirurgia de
risco, em alguém que você estima e quer salvar a vida?
Você
permitiria ao comissário de bordo, do vôo que você
acaba de embarcar, substituir voluntariamente o Primeiro-Oficial, em
suas funções na cabine, porque este precisa ocupar o
comando no lugar do Comandante que se sentiu mal?
Pois bem.
Vamos falar bem rapidamente sobre voluntariado.
Não
basta querer. O querer é fundamental e importante. Mas...
precisa poder ser. Para poder ser... precisa conhecer.
Rimas
à parte, o que queremos dizer é que o voluntariado
requer, também, competência e profissionalismo. E quem foi
que disse que o voluntário não pode ser profissional?
Quando
fazemos o uso do termo "profissionalizar o Terceiro Setor", estamos
querendo dizer que as ações, sejam elas de gestão,
de operação (projetos e objetivos sociais) e
captação (arrecadação de
fundos/doações), devem ser feitas com profissionalismo
(conhecimento e competência) por quem o faz, seja empregado,
prestador de serviços ou voluntário.
O
voluntário é peça fundamental no Terceiro Setor.
Por isso mesmo, precisa receber atenção e ser preparado
para tal. Precisa conhecer os "por quês", "comos", "quês" e
"quantos" da organização à qual serve. Precisa
saber que para servir como voluntário, não basta querer,
mas tem que conhecer. Difícil? Não. Simples.
Capacitação! As organizações do Terceiro
Setor precisam capacitar seus voluntários.
Aliás,
em tudo precisamos estar capacitados. O funcionário da portaria
do hospital não pode substituir o anestesista porque não
está capacitado. O comissário de bordo, da mesma forma,
não pode substituir o primeiro oficial porque não
está capacitado.
Agora... com
competência, bem-vindos os voluntários! Os verdadeiros
voluntários carregam os andores do sucesso no Terceiro Setor.
Sem alarde ou toque da "matraca". Preferem a discrição.
Terminando,
permitam-me uma historinha rápida para reflexão sobre
voluntariado:
Há
alguns meses atrás, fui solicitado a oferecer consultoria a uma
ONG muito antiga no Rio de Janeiro, fundada por senhoras da alta
sociedade no governo Getulio Vargas. Revendo o livro de atas e os nomes
dos fundadores, encontrei muitos sobrenomes conhecidos e famosos que
hoje identificam ruas e avenidas de nossa cidade. Li histórias
de festas e grandes eventos que arrecadaram muitos fundos para obras
sociais na era Vargas. Hoje, a ONG está quase fechada. Meia
dúzia de bem intencionadas senhoras de classe média baixa
e pobre, tentam, "no grito", manter as portas abertas e oferecer, por
qualquer trocado, pequenas peças de lã, tricotadas para
"aquecer" o permanente verão carioca. O que aconteceu? Qual
é o diagnóstico? Falta de visão? Falta de foco?
Falta de sustentabilidade? Falta de projetos verdadeiros?
Acertou quem
“marcou” todas as opções. Faltam visão, foco,
sustentabilidade e projetos verdadeiros. Falta o profissionalismo da
gestão e planejamento para que se capacite e aproveite a riqueza
do voluntariado ali presente, canalizando o potencial dessa
“força tarefa voluntária” para o crescimento sustentado
de uma organização de visão focada.
*Antonio Lopes Filho é consultor empresarial, contador
e auditor, especialista em Gestão de Iniciativas Sociais UFRJ,
associado à Thompson Management Horizons, onde atua como
professor, do FCT - Curso de Formação de
Consultores e coordena o Segmento do Terceiro Setor.
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